quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

o BBB e os comitês científicos

E assim penso ter sido formado, também os comitês científicos que aprovam a manutenção de serviços não essenciais funcionando, reabertura de escolas e mudança no método de contagem e registro da doença que está sim, descontrolada, no Brasil,
A seleção há de ter sido feita da mesma forma que a escolha do "elenco" do BBB. Destruindo a ciência  e seus profissionais que correm,  sofrem e arriscam-se como nunca antes, assistindo, apesar de seus esforços e luta, milhões de pessoas morrerem. Que juraram proteger a vida acima de tudo, e assistem a banalização dela.

Essas pessoas serão lembradas na história, bem como seus governantes.

Como diz o (agora esquerdista, mas não… nunca será) Reinaldo de Azevedo, " No Brasil Nunca mais COVID-19, seus nomes estarão lá"… no índice, em letras como B, P, F, C, S...  e tantos outros que permitiram contágios e mortes, sem se responsabilizar e tomar medidas à favor da vida que desagradem o mercado e o capitalismo no estágio mais cruel, na barbárie.

Meu nome jamais estará no B.

Meu nome jamais rolará nessa lama.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

A juventude das árvores ( eu e meus frutos)

Foi uma observação recente em minha vida, que as folhagens novas de uma mesma árvore possuem tonalidade diferente. São mais claras, mais vivas. 

Talvez eu nunca tenha parado realmente para observá-las. De fato, a contemplação de plantas e flores tem se tornado mais frequente em minha vida somente agora, ou por estar envelhecendo, ou por estar-me tornando como minha mãe… ou às duas coisas. 

Mas fato é que assim o é. 

A reflexão acerca das associações: árvore (condição vegetal) eu (condição humana) e vivacidade/ juventude, foram inevitáveis… 

Envelhecer também é inevitável. 

Pensar em mim como árvore e, minhas folhagens em um tom mais escurecido de verde ou amarronzado… em comparação ao verde claro, reluzente de novos brotos, é no mínimo doído, em uma sociedade que, esteticamente valoriza somente a juventude. 

Mas lembro-me, devagar que… galhos grossos formaram-se com o tempo das folhagens verde escuras… bem como o tronco mais grosso e as raízes, que emaranham-se e esparramam-se mais no chão, colhendo mais águas e nutrientes para os galhos mais novos… esses também não produzem ainda tanta sombra e nem abrigam tantos animais em suas instalações… não escondem bem as espécies ameaçadas.

Os galhos mais novos, querem chegar onde estamos nós, as folhagens mais velhas, querem crescer em busca da luz, e com o tempo, também estarão mais fortes e robustos, compartilhando de nossas raízes e agregando-lhes novas redes de ramificações. Nutrindo-nos diferentemente. Mas sempre com objetivos comuns. Sobreviver e estar pleno, sereno, bem nutrido, fazendo sua parte no ecossistema, ainda que de forma passiva… dando sombra, frutos, embelezando paisagens, servindo-se de apoio e brinquedo para crianças que na condição humana, quer dizer felicidade e amor em forma de cuidados. 

Que lembremos sempre dos objetivos comuns aos seres vivos.
Pois somos parte, somente.  

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Liturgia letárgica



1ª leitura:

No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam a face do abismo e o espírito de Deus pairava sobre as águas.


As trevas trouxeram consigo, figuras que hoje ainda as representa. Mantiveram firmes neste mundo, figuras políticas que, não entendem o amor ao próximo, sendo este próximo todos e qualquer indivíduo, e que este amor é também, via cuidados com políticas públicas de atenção e segurança social.


Deus disse: Faça-se a luz. E a luz se fez. Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas.


E nas trevas, aproveitou-se e instalou-se espetos de concreto abaixo de viadutos.


E à luz, Deus chamou dia. E às trevas, “noite”. Houve uma tarde e uma manhã, no primeiro dia.


E fora desse dualismo, talvez na tarde, é que um missionário apelou para uma atitude braçal, (violenta, talvez, pelo instrumento escolhido) tomou uma marreta, e com ela destruiu esses espetos de cimento da maior metrópole brasileira.

Porque nem tudo são trevas e nem tudo é luz somente. Porque o dualismo não cobre a lógica de um padre destruir nada à marretadas. Nem Jesus com chicotes quando apela:


“Não façais da casa de meu pai um mercado.”


Mas ele assim o fez.

E viu que era bom.


Alegre-se o Senhor em suas obras!

Bendize ó minha alma, ao Senhor!

Ó meu Deus e meu senhor, como sois grande!

De majestade e esplendor vos revestis e de luz vos envolveis como num manto


Um padre, que sabe bem a missão que tem, que entende o papel do personagem Jesus, que cobre sim os pobres, necessitados e excluídos com manto e proteção espiritual, distribuindo-lhe alimentos e palavras de conforto.

Que, provavelmente cansado desse quadro fascistóide instaurado em seu país, em sua cidade, insisto, decidiu pegar uma marreta e destruir espetos de cimento.


Ele está no meio de nós


E assim, derrubando o símbolo de uma política higienista, que corrobora com a história de uma nação que tentou embranquecer-se com políticas públicas, que enriquece em nome da fé, sobre o lombo desses pobres e marginalizados ao longo da história, demonstra ao povo sua real missão e lembra que


Nosso coração está em Deus.



E que sua missão é inclusive de luta. É de chicotes e marretas.

Participar desse movimento e desistir da letargia, erguer-se, de qualquer forma, contra esse estado desumano que se alastra no país, com discórdias, polarizações e políticas claras de extermínio através de representantes eleitos.


É nosso dever e nossa salvação.







Miguel

Texto de hoje:

Miguel

Quem me conhece sabe bem de minha memória  falha.  Demasiado p minha idade, tenho 38 anos , e esse desacerto que muito me atrapalha,  por vezes, me diverte, quando abro um sorriso após ler algo que eu mesma escrevi , por exemplo...
Atribuo esses lapsos  à estafa, ao cansaço, à pouca saúde mental enfim...  tenho uma mente proletariada adoecida, que me obriga por ansiedade ou traumas, a produzir o tempo inteiro. 
Esqueço tudo. O que me faz, inclusive uma ótima confidente . 
Com o tempo, percebi dificuldades com arranjos temporais ( planejar horários, calendários  e calcular lógicas dessa natureza são, para mim, um suplício.) E acompanhamento de fofocas que começam com: "a prima do irmão do meu cunhado" por exemplo, me tomam um cálculo divertido  e com isso perco a história. 
Existem, no entanto, um leque de coisas que não me deixo esquecer. 
Obviamente, meu primeiro amor e homem, o dia do nascimento de meus filhos,  dia da assinatura da escritura de minha casa, encontros com meu marido, enfim... essas coisas bem ligadas ao comum e ao espírito burguês, que não devemos esquecer, Miguel, como chamo meu cérebro, guarda bem. 
Fatos desgostosos, desamores,  atritos e outros tropeços, bem como histórias engraçadas. 
Entendi que coisas geralmente ligadas à aprendizados , eu não esqueço.  Tipo moral da história, sabe? O que você aprendeu com isso?  Esse tipo de coisa, Miguel também guarda... penso que ele é um tanto rancoroso... e  isso faz de mim uma pessoa fiel, que atura pouquíssimos erros das pessoas. 
Meu processo reflexivo é pesado e e tem piorado, à medida que estudo e escuto  mais as pessoas.
De todas essas memórias, as ligadas à profissão que escolhi me encantam eternamente.
Assistir uma criança ler comigo, acompanhar processos logicos e argumentos sendo construídos porque fora inserido o pensamento crítico e, sempre a alegria de abraços e carinhos  me tomam tempo nesse envelhecer cerebral... bem como físico, pois meu fascínio de ver ex alunos grandes indo ainda me abraçar depois de velha, arranca_ me sempre um sorriso e uma sensação de escolhas certas.
É impossivel, afirmo, ser professor e não se emocionar com esses fatos comuns à todos nós. 
Dias doídos, pois acompanhamos crianças sofridas também, ganham uma gaveta aqui no arquivo de Miguel .  São dias que tudo o que você quer é pegar aquela criança, família ou situação e, sei lá... apagar.  Mas, não endurecemos... a empatia é uma construção necessária ao magistério.  
Uma lembrança, no entanto, nunca me falha. É como se ela espreitasse sempre, junto às minhas perturbações e coisas obscuras: o dia em que nossa classe apanhou.
Esse dia está marcado em minha mente e retorna frente à qualquer banalização de absurdos. 
retorna diariamente ao ouvir que temos mais de mil brasileiros mortos por dia , mas que a economia tem que funcionar. Retorna ao ouvir que servidores são vagabundos e que professores ensinam sexo em suas salas de aulas. E penso imediatamente, na naturalização de violências. Mas esse dia foi físico.  Esse dia rompeu uma barreira muito clara e simbólica para essa sociedade. Mostrou que a razão e o direito não estão acima da brutalidade, do ódio e da truculência.  Que a barbaridade vence sim a sabedoria e o esclarecimento. Enfim que, numa dualidade abusivamente cristã, o mal vence.
Que os professores não se esqueçam desse dia. 
Que eles não se esqueçam nas mãos de quem estava a caneta que permitiu esse ato.
Que não nos esqueçamos jamais da necessidade de nossa função dentro desse quadro.
Enfim, que, ao anunciar greves e direitos, estejamos todos preparados também, se necessário, com a palmatória.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Braços cruzados

Aos que insistem em dizer que professores mantiveram-se  sem trabalhar, colocando a população contra esse setor, contra os profissionais de educação, embasando um governo que tem isso como pauta e prioridade desde o inicio de mandato, combato informando que, ao longo do ano de 2020, o poder  público:
Assistiu famílias perderem seus empregos e não garantiu empregabilidade. Lembro que antes da pandemia nosso quadro econômico já não era bom, tampouco com boas perspectivas;
Assisitiu o aumento das violências domésticas e infantis sem apresentar politicas de segurança;
Permaneceu imóvel enquanto os professores desdobravam_se para entrar no mundo digital e contatar seus alunoa, sem nenhum projeto de apoio financeiro ou formativo;
Assistiu o escancaramento da desigualdade social, que mostrou que a pandemia é também sobre faltas de políticas públicas;
Priorizou eleições e campanhas acima das vidas humanas perdidas;
Demonstrou complacência com o setor empresarial, cedendo às pressões e arreganhando as portas dos comércios em nome de uma economia que tem que funcionar, mesmo sabendo que isso aumentaria o número de vitimas;
Entre tantos outros desgovernos que, se eu permanecesse enumerando o texto ficaria muito longo e enfadonho, pois é exatamente o que estamos vivendo diariamente.
Agora, numa atitude desesperada de demonstrar uma normalidade não correspondente ao quadro de perdas de mais de mil vidas por dia no país, falam em reabrir as escolas e seguem, colocando a população contra um setor, citado em todos os seus programas de governo, como essencial, mas que há anos sofre com corte de gastos, falta de aumento salarial, sucateamento sistemático e que mesmo nessas condições, seguia trabalhando...
Ora. Corram  atrás de uma campanha decente de vacinação, ao invés de trazer médicos que falam contra a ciência; assumam  políticas públicas que equalizem o acesso de todos à educação, saneamento básico , saúde emprego e moradia;  garantam infra estrutura e material para escolas que por muitos anos funcionaram sem professor, sem papel higiênico e telhados . Trabalhem como nós trabalhamos ao longo de todos esses anos,  em condições precárias e levando ensino de qualidade para áreas à margem dessa injusta sociedade dirigida por vocês.
Esse é o trabalho de vocês. 
O nosso é ter estrutura para dar aula; ter condições de trabalho e bom acolhimento das crianças. O resto é literalmente trabalho de vocês.
Descruzem portanto, vocês, seus braços. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Laissez-faire


Mortos não trabalham
Também não consomem
Nem mortos de fome
Por outro lado
Velhos não trabalham
Tampouco crianças
Só gastam
Pouco consomem
São parasitas sociais
Na balança do capitalismo
Dos estados fascistas 
A morte está sempre presente
Estampada nos jornais
Aliada ao mercado 
E aos sistemas policiais 
E nesse contexto do se "deixar fazer"
Eu só quero viver.Laissez-faire
Mortos não trabalham
Também não consomem
Nem mortos de fome
Por outro lado
Velhos não trabalham
Tampouco crianças
Só gastam
Pouco consomem
São parasitas sociais
Na balança do capitalismo
Dos estados fascistas 
A morte está sempre presente
Estampada nos jornais
Aliada ao mercado 
E aos sistemas policiais 
E nesse contexto do se "deixar fazer"
Eu só quero viver.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Vassouras e gabinetes.

Gosto muito da frase: “Toda vassoura nova varre bem” porque já tentei derrubá-la empiricamente várias vezes e, nunca consegui!  A vassoura nova realmente é maravilhosa! Macia. Logo que começamos a trabalhar com ela, sentimos que a varredura corre com uma delicadeza que nossa… podia ser assim para sempre e essa podia ser a minha vassoura favorita!

Vassouras novas colocam todas as cerdas para trabalhar imediatamente. Correm, fazem o que é pedido e estão sempre ali, caso a pessoa precise. Fazem até o que não gostariam. Varrem o molhado, porque a pessoa a está operando para isso; limpam quintais, ainda que sejam somente para interiores...obedecem aos comandos, sempre, sem, posicionamento acerca de suas funções reais. Sem o poder de responder:


“Olha sra.,  somos vassouras de pisos, não cimento, fazer isso, nos destruirá completamente.”


Elas trabalham, numa lógica de talvez, auto destruírem-se. Cantos sujos e melecados; matam ratos, baratas, enfim... 

Se elas se fizessem entender que sua função não é essa… matar ratos, imagina!

Se elas pudessem falar, apontar os erros… mas tudo é atrelado ao “ e se eu for jogada fora porque não sirvo? E se eu ficar igual aquelas lá, no canto pegando poeira, Deus me livre!

E assim, seguem sujando-se. Enrolando-se com cabelos, pêlos e fios acumulados ao longo dos anos. Normalizando inclusive funções que não são as suas, porque elas servem à tudo que é pedido. Têm que servir ou serão substituídas, colocadas à disposição.

E se fosse só esse o prejuízo, tudo bem…mas passam a espalhar a sujeira ao invés de limpar, passam a alastrar as imundícies, e serem reconhecidas por isso.. deixando claro de uma vez por todas sua incompetência .

Ela será substituída na próxima compra, mesmo tendo feito tudo o que foi pedido.


E se você leu até aqui pensando que eu estava falando só de vassouras, você leu errado.