Foi uma observação recente em minha vida, que as folhagens novas de uma mesma árvore possuem tonalidade diferente. São mais claras, mais vivas.
Talvez eu nunca tenha parado realmente para observá-las. De fato, a contemplação de plantas e flores tem se tornado mais frequente em minha vida somente agora, ou por estar envelhecendo, ou por estar-me tornando como minha mãe… ou às duas coisas.
Mas fato é que assim o é.
A reflexão acerca das associações: árvore (condição vegetal) eu (condição humana) e vivacidade/ juventude, foram inevitáveis…
Envelhecer também é inevitável.
Pensar em mim como árvore e, minhas folhagens em um tom mais escurecido de verde ou amarronzado… em comparação ao verde claro, reluzente de novos brotos, é no mínimo doído, em uma sociedade que, esteticamente valoriza somente a juventude.
Mas lembro-me, devagar que… galhos grossos formaram-se com o tempo das folhagens verde escuras… bem como o tronco mais grosso e as raízes, que emaranham-se e esparramam-se mais no chão, colhendo mais águas e nutrientes para os galhos mais novos… esses também não produzem ainda tanta sombra e nem abrigam tantos animais em suas instalações… não escondem bem as espécies ameaçadas.
Os galhos mais novos, querem chegar onde estamos nós, as folhagens mais velhas, querem crescer em busca da luz, e com o tempo, também estarão mais fortes e robustos, compartilhando de nossas raízes e agregando-lhes novas redes de ramificações. Nutrindo-nos diferentemente. Mas sempre com objetivos comuns. Sobreviver e estar pleno, sereno, bem nutrido, fazendo sua parte no ecossistema, ainda que de forma passiva… dando sombra, frutos, embelezando paisagens, servindo-se de apoio e brinquedo para crianças que na condição humana, quer dizer felicidade e amor em forma de cuidados.
Que lembremos sempre dos objetivos comuns aos seres vivos.
Pois somos parte, somente.
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