segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Liturgia letárgica



1ª leitura:

No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam a face do abismo e o espírito de Deus pairava sobre as águas.


As trevas trouxeram consigo, figuras que hoje ainda as representa. Mantiveram firmes neste mundo, figuras políticas que, não entendem o amor ao próximo, sendo este próximo todos e qualquer indivíduo, e que este amor é também, via cuidados com políticas públicas de atenção e segurança social.


Deus disse: Faça-se a luz. E a luz se fez. Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas.


E nas trevas, aproveitou-se e instalou-se espetos de concreto abaixo de viadutos.


E à luz, Deus chamou dia. E às trevas, “noite”. Houve uma tarde e uma manhã, no primeiro dia.


E fora desse dualismo, talvez na tarde, é que um missionário apelou para uma atitude braçal, (violenta, talvez, pelo instrumento escolhido) tomou uma marreta, e com ela destruiu esses espetos de cimento da maior metrópole brasileira.

Porque nem tudo são trevas e nem tudo é luz somente. Porque o dualismo não cobre a lógica de um padre destruir nada à marretadas. Nem Jesus com chicotes quando apela:


“Não façais da casa de meu pai um mercado.”


Mas ele assim o fez.

E viu que era bom.


Alegre-se o Senhor em suas obras!

Bendize ó minha alma, ao Senhor!

Ó meu Deus e meu senhor, como sois grande!

De majestade e esplendor vos revestis e de luz vos envolveis como num manto


Um padre, que sabe bem a missão que tem, que entende o papel do personagem Jesus, que cobre sim os pobres, necessitados e excluídos com manto e proteção espiritual, distribuindo-lhe alimentos e palavras de conforto.

Que, provavelmente cansado desse quadro fascistóide instaurado em seu país, em sua cidade, insisto, decidiu pegar uma marreta e destruir espetos de cimento.


Ele está no meio de nós


E assim, derrubando o símbolo de uma política higienista, que corrobora com a história de uma nação que tentou embranquecer-se com políticas públicas, que enriquece em nome da fé, sobre o lombo desses pobres e marginalizados ao longo da história, demonstra ao povo sua real missão e lembra que


Nosso coração está em Deus.



E que sua missão é inclusive de luta. É de chicotes e marretas.

Participar desse movimento e desistir da letargia, erguer-se, de qualquer forma, contra esse estado desumano que se alastra no país, com discórdias, polarizações e políticas claras de extermínio através de representantes eleitos.


É nosso dever e nossa salvação.







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