segunda-feira, 22 de março de 2021

O que é fazer xuca, ops .. Xuxa.

Hoje vai ter uma festa!
Aglomeração, muita gente vem me ver er
É o meu aniversário. 
Liberdade já! Os tanques podem resolver er 

Trezentos mil mortos,
Com subnotificação 
Anuncio um golpe,  incito a população 
O gado bate palma quando falo de se armar
Junto com os verde oliva, vamos lá! 

Parabéns uhul
Parabéns uhul
Não tem mais vacina, a saúde por um triz iz
Parabéns uhul
Parabéns uhul
A máscara de vocês fica embaixo do nariz izzzz 

Eh pique é pique
Que o patrimônio se triplique 
É hora É hora
O Queiroz me assessora
Rá Tim bum
Genocida, genocida, genocida!

Descaso

O corpo com a cara coberta no chão
Tal qual cachorro
Esforço sem leito e  oxigênio, em vão
Sem socorro
Destino certo
Ele morre
Tu morres
Eu também
Morro. 

Ao criminoso e vil, chefe do executivo do Brasil

Se é censurado o atribuir o termo a quem 
causa desgraça no país inteiro
Chamemo_lo de  ceifeiro. 

Se o nome oficial 
Traz má sorte
Usaremos anjo da morte 

Executor, capataz, sanguinário, 
Desalmado, salafrário
Criminoso, sicário.
Algoz mortal,  amante de calvário. 

Sedento por sangue, bandoleiro 
facínora, traiçoeiro,
Homicida pistoleiro
Desalmado, cangaceiro 

Que com tamanho desprezo à vida
Ao transpasse final, com política homicida, 
Incentivando à caminhada suicida, 
Só pode ser chamado genocida. 

E sobre o amor

E eu que achava que o amor
Era posse e dor
Que ele era meu e eu dele
E que ciúme era valor

Recebi do universo
Esse homem complexo
Pouco romântico
Muito sincero
Humilde
Cheio de saberes
E ao aprendizado aberto.

De mim, o oposto
Carrega sorriso no rosto
E o peito, apesar de apertado
Sempre alegrado

Balançou balanceando,
Eu com minha seriedade chata
Problematizadora nata
Aprendi com ele
O que da vida tem encanto

Sorrisos dos filhos
Comida na mesa
Saúde , amor e fartura
Sem faltar a ternura
Jogo de cintura
Na riqueza e na pobreza.

Demorou 13 anos ...
Mas aprendi !
E em tempos ruins ele me abraça
E quando estou feliz ele sorri





PEC a dor


Daqui há 15 anos 
Eu terei 53, meus filhos 18 e 30
600 alunos, em 30 turmas atendidas
Ao longo de 3000 dias letivos
Com o salário ativo
Sangrento e sagrado 
Sem requinte
De 2020.

Troca de cabestro

O fardo da farda
Passa agora para o jaleco do cientista 
A ciência, então respalda
A continuidade malfadada 
Da política negacionista.

AI_5

Aí mais de 5 motivos
P você ler uns livros 
Sobre a levantada do Estado fascista
Sobre a queda da democracia, já prevista.
Desde o golpe dado, muito bem assessorado
E acima de tudo, machista.
A história mostrava o esquema; 
Agora os grampos desvendam o problema.
Começou com Ustra sendo ovacionado.
Seguiu com a morte de uma parlamentar,
até hoje, crime ocultado.
Aparelhamento militar do Estado
O povo anestesiado, mal informado.
A placa quebrada
A constituição diariamente, rasgada 
Os poderes ameaçados.
Os indivíduos esfomeados, 
O genocídio com alto números diários de morte
Há quem estude
Há quem corre
À quem luta
Boa sorte.

A placa

A rua fictícia 
Símbolo justo 
Memória arrastada
Quiçá em lustro
Da dúvida impune 

O Símbolo que nos une
Tornou-se fato
Em multidões e encruzilhadas
Transformando-se em brenhas perfumadas
De jardins parisienses. 

Em favelas, espaços e ruas, também prospera
Anunciando a iminência
De uma inevitável primavera. 

Contra todo o agouro que nos assola 
Diariamente
Para lembrarmos,  constantemente
Marielle Franco, presente.

8/3/2021

No país do estupro culposo
Da fraquejada
Do feminicídio epidêmico
Da vítima culpada;
Da transformação do assédio em gentileza
Da honra como legítima defesa

Do "não te estupro porque você não merece"
Da política que extermina nossos frutos
Da saudade e da dor que não se esquece.

Perceba que, diariamente, nosso viver é dor
Nesse dia, não me ofereça nada além  de empatia, luta e amor
Nenhum bombom é capaz de preencher esses vazios existenciais
Eu só quero viver, em paz. 

E agora José ( a antítese)

E agora José? 
A vacina acabou
O carnaval chegou
O bar não fechou
O povo saiu
A noite mal começou 
E agora José? 
E agora, você? 

Você que sou eu
Que anda com medo
Por isso faz versos...
Já que ama os protestos.
E agora Maria? 

Está sem emprego
Só lhe resta o discurso 
Está sem carinho.
Já Só faz beber
Já Só faz fumar
E vomita. 

A noite esquentou
O dia já veio, 
Com ele, as notícias.
Envergonha_se. Odeia.
Só sonha com a utopia.
E tudo segue aí. 
E nada, nem ninguém fugiu.
Estão todos impunes e apodrecidos.
E agora José? 

E agora José? 
Sua doce palavra
Seu instante de febre
Su gula e jejum 
Sua biblioteca
Sua lavra de ouro
Seu terno de vidro
Sua incoerência. 
Seu amor, e agora? 

Com a chave na mão 
Quer abrir a porta.
Mas não. 
Há porta.
Não pode ao menos morrer no mar.
Ele tampouco secou. Está cheio.
Nem em Manaus.
Manaus não há mais.
José e agora? 

Se você saísse 
Se você bebesse
Se você tocasse o batuque vienense
Mas você não aglomera, 
Você não é burro, José. 

Sozinho no claro e no escuro.
Qual bicho do mato.
Você e seus deuses 
Nas paredes nuas
Se encosta
Sem carros fúnebres 
Que batam à porta 
Que levem-te embora.
Você marcha José. 
José, para onde? 

Matemática

Noventa e dois porcento quer dizer
Necessariamente
Que se eu adoecer
Ficarei ao relento
Na rua, jogada e nua
Sem ar
Feia e torta
Fria e morta.








Para Lula

Sua dor não é menor, companheiro. 

Sabemos que o que te move
É o amor pelo povo brasileiro, 
é o café da manhã, almoço e janta do pobre
Que atualmente, come ovo
arma e desinformação,
afirmando que votará nele de novo,
para desespero desta (não) nação.


Entendemos sua tristeza com respeito
Por isso não diminua as dores de teu peito
(Elas são, igualmente legítimas )
Sentimos na pele, sua falta de direitos
Nas nossas políticas públicas extintas.


No discurso, a fala da empatia
que cita mesa vazia
poderes corrompidos
Dados falsos
Dignidade, vacina, trabalho e alegria.
Nos traz a esperança de um novo dia.


Lubrificando nossos olhos secos e famintos
Esquentando o sangue nas veias esturricadas 
Desamarrando os nós,  das gargantas encatarradas
pulsando nossos corpos cinzentos e mendigos.


Que penam, como tu
Em caixões fechados
adeuses proibidos
Saudades e gemidos
Esperança (a)guardada


Com(o) você, triunfaremos
Inteiros e amados,
Não armados
Mas na luta, 

E nessa caminhada, 
Ora, companheiro
também a dor
Há sempre
De ser compartilhada.


Abutre

Chorarei até secarem minhas lágrimas. 
Até parar de morrer brasileiros por incompetência e negacionismo
Chorarei até o fim do seu cinismo
Lamentarei a morte de meus amores até que minha face esteja marcada pelos caminhos aguados de minhas lágrimas,
Enquanto a saudade bater
Enquanto eu mesma viver
Por fim
Chorarei de felicidade
Quando em minha cidade 
O respeito à ciência e à vida prevalecer.
Esperarei como ti, abutre
O seu momento de partir
E direi aos seus familiares e seguidores 
Chega de mimimi

Ciência pra quê?

O brasileiro conseguiu montar, em seu imaginário, um vírus vagabundo, que circula somente em noitadas, bares e boates. Um vírus subversivo, que ama festas clandestinas e bailes funks proibidos.
Dessa forma, obviamente, ele não estará nos ônibus lotados de manhã ou no fim da tarde... aliás, tampouco no trabalho em si. Há de se respeitar homens de bem que têm família para sustentar, ora!
Nessa lógica, mercados, farmácias, lojas em geral estão também salvos desse vagabundo, porque todos ali estão atrás de subsistência, ou como mão de obra ou como consumidores... deve ser essa a razão dos afrouxamentos de protocolos sanitários nesses locais, inclusive. Para que, senhores, passar álcool em gel e respeitar lotação em mercados, se o vírus não está lá?
(Deve estar se enroscando em alguma vagabunda pelas ruas, chutando latinhas, numa roda de samba... isso sim!)
Para que usar máscara enfim né... se sou cidadão de bem, pago meus impostos...
O vírus anda em manifestações culturais populares; aquelas desprezadas pela burguesia, porque além de desocupado, o vírus não carrega um pingo de gosto pela cultura. Ele não está nos museus e centros culturais; nem em casas de chá e restaurantes onde podemos apreciar uma boa refeição, com um bom vinho e música erudita.
O vírus, como tudo que é ruim no imaginário brasileiro, é preto, pobre, macumbeiro, malandro e boêmio. Personificado como Zé pilintra, como o povo da rua.
O vírus é o diabo.
Se você, portanto, precisar de ajuda... se estiver possuído por esse encosto, vá até a igreja neo pentecostal mais próxima e peça que o pastor retire o covid de seu corpo.

SAI AGORA, COVID! SAIA DESSE CORPO QUE NÃO LHE PERTENCE" 

Ela tem Algodão-doce no cérebro.

Não sei se devido à escrita, ou à idade tenho preferido
Entender mais do que saber.
Escutar mais do que falar;
Agradecer mais do que pedir e perder-me em momentos de paz.
Momentos de quietude, onde o amor está por toda a parte; está, literalmente.
E com a intenção de apalpa-lo, numa abstração imaginativa de minha mente e paladar, por vezes infantis, de fato o materializa em flocos de algodão-doce, quando posso então, pegar um chumaço e me lambuzar com ele.
Meus amores carregam sabores diferentes nesse delírio. Meu filho possui uma névoa leve e cremosa, como que um sorvete em um dia quente, refrescante, jovem, despreocupado e confortante... seria meu chocolate. O ar de minha filha é, sem dúvida tutti frutti, bem doce.  Apirulitado, que me deixa grudenta... como o mormaço. Meu marido exala um doce alcoólico, apimentado e leve. É um sabor adulto e acre.
Eu não sei qual sabor exalo. De fato, nenhum, pois nesses momentos sou contemplativa e permaneço embuçada, para que minha bruma neutra seja esponja e me permita, depois, quando a saudade apertar o peito, degustar, em meu palito enevoado, todos os sabores recolhidos de atmosferas do amor

Sororidade

Hoje eu não escreveria.
Estou cansada e com dores.
Minhas dores são físicas.... daquelas que me desanimam porque trazem com elas o peso de ser mulher.
O peso de sentir dores constantemente... só por ser mulher mesmo.
E enquamto eu fazia nada, lamentando esse dia pouco produtivo, minha amiga mostra em suas redes,
Encorajada, um pequeno poema que fez...
E me marcou.
E disse amigos, que um dos motivos dela escrever... sou eu.
Como parar?
Como nao escrever hoje?
Justo hoje... dia que a sororidade me arrebata, finalmente.
Dia que o amor prevalece
Dia que comemoro uma amiga não rival.
Somos criadas para sermos rivais,
Somos criadas para competir
E nessa corrida
Eu só quero
Chegar por último
Com amor.
Para Rafaela e todas as amigas que celebram uma amizade real.
Kamilla Broedel 

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

o BBB e os comitês científicos

E assim penso ter sido formado, também os comitês científicos que aprovam a manutenção de serviços não essenciais funcionando, reabertura de escolas e mudança no método de contagem e registro da doença que está sim, descontrolada, no Brasil,
A seleção há de ter sido feita da mesma forma que a escolha do "elenco" do BBB. Destruindo a ciência  e seus profissionais que correm,  sofrem e arriscam-se como nunca antes, assistindo, apesar de seus esforços e luta, milhões de pessoas morrerem. Que juraram proteger a vida acima de tudo, e assistem a banalização dela.

Essas pessoas serão lembradas na história, bem como seus governantes.

Como diz o (agora esquerdista, mas não… nunca será) Reinaldo de Azevedo, " No Brasil Nunca mais COVID-19, seus nomes estarão lá"… no índice, em letras como B, P, F, C, S...  e tantos outros que permitiram contágios e mortes, sem se responsabilizar e tomar medidas à favor da vida que desagradem o mercado e o capitalismo no estágio mais cruel, na barbárie.

Meu nome jamais estará no B.

Meu nome jamais rolará nessa lama.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

A juventude das árvores ( eu e meus frutos)

Foi uma observação recente em minha vida, que as folhagens novas de uma mesma árvore possuem tonalidade diferente. São mais claras, mais vivas. 

Talvez eu nunca tenha parado realmente para observá-las. De fato, a contemplação de plantas e flores tem se tornado mais frequente em minha vida somente agora, ou por estar envelhecendo, ou por estar-me tornando como minha mãe… ou às duas coisas. 

Mas fato é que assim o é. 

A reflexão acerca das associações: árvore (condição vegetal) eu (condição humana) e vivacidade/ juventude, foram inevitáveis… 

Envelhecer também é inevitável. 

Pensar em mim como árvore e, minhas folhagens em um tom mais escurecido de verde ou amarronzado… em comparação ao verde claro, reluzente de novos brotos, é no mínimo doído, em uma sociedade que, esteticamente valoriza somente a juventude. 

Mas lembro-me, devagar que… galhos grossos formaram-se com o tempo das folhagens verde escuras… bem como o tronco mais grosso e as raízes, que emaranham-se e esparramam-se mais no chão, colhendo mais águas e nutrientes para os galhos mais novos… esses também não produzem ainda tanta sombra e nem abrigam tantos animais em suas instalações… não escondem bem as espécies ameaçadas.

Os galhos mais novos, querem chegar onde estamos nós, as folhagens mais velhas, querem crescer em busca da luz, e com o tempo, também estarão mais fortes e robustos, compartilhando de nossas raízes e agregando-lhes novas redes de ramificações. Nutrindo-nos diferentemente. Mas sempre com objetivos comuns. Sobreviver e estar pleno, sereno, bem nutrido, fazendo sua parte no ecossistema, ainda que de forma passiva… dando sombra, frutos, embelezando paisagens, servindo-se de apoio e brinquedo para crianças que na condição humana, quer dizer felicidade e amor em forma de cuidados. 

Que lembremos sempre dos objetivos comuns aos seres vivos.
Pois somos parte, somente.  

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

Liturgia letárgica



1ª leitura:

No princípio, Deus criou o céu e a terra. A terra estava deserta e vazia, as trevas cobriam a face do abismo e o espírito de Deus pairava sobre as águas.


As trevas trouxeram consigo, figuras que hoje ainda as representa. Mantiveram firmes neste mundo, figuras políticas que, não entendem o amor ao próximo, sendo este próximo todos e qualquer indivíduo, e que este amor é também, via cuidados com políticas públicas de atenção e segurança social.


Deus disse: Faça-se a luz. E a luz se fez. Deus viu que a luz era boa e separou a luz das trevas.


E nas trevas, aproveitou-se e instalou-se espetos de concreto abaixo de viadutos.


E à luz, Deus chamou dia. E às trevas, “noite”. Houve uma tarde e uma manhã, no primeiro dia.


E fora desse dualismo, talvez na tarde, é que um missionário apelou para uma atitude braçal, (violenta, talvez, pelo instrumento escolhido) tomou uma marreta, e com ela destruiu esses espetos de cimento da maior metrópole brasileira.

Porque nem tudo são trevas e nem tudo é luz somente. Porque o dualismo não cobre a lógica de um padre destruir nada à marretadas. Nem Jesus com chicotes quando apela:


“Não façais da casa de meu pai um mercado.”


Mas ele assim o fez.

E viu que era bom.


Alegre-se o Senhor em suas obras!

Bendize ó minha alma, ao Senhor!

Ó meu Deus e meu senhor, como sois grande!

De majestade e esplendor vos revestis e de luz vos envolveis como num manto


Um padre, que sabe bem a missão que tem, que entende o papel do personagem Jesus, que cobre sim os pobres, necessitados e excluídos com manto e proteção espiritual, distribuindo-lhe alimentos e palavras de conforto.

Que, provavelmente cansado desse quadro fascistóide instaurado em seu país, em sua cidade, insisto, decidiu pegar uma marreta e destruir espetos de cimento.


Ele está no meio de nós


E assim, derrubando o símbolo de uma política higienista, que corrobora com a história de uma nação que tentou embranquecer-se com políticas públicas, que enriquece em nome da fé, sobre o lombo desses pobres e marginalizados ao longo da história, demonstra ao povo sua real missão e lembra que


Nosso coração está em Deus.



E que sua missão é inclusive de luta. É de chicotes e marretas.

Participar desse movimento e desistir da letargia, erguer-se, de qualquer forma, contra esse estado desumano que se alastra no país, com discórdias, polarizações e políticas claras de extermínio através de representantes eleitos.


É nosso dever e nossa salvação.







Miguel

Texto de hoje:

Miguel

Quem me conhece sabe bem de minha memória  falha.  Demasiado p minha idade, tenho 38 anos , e esse desacerto que muito me atrapalha,  por vezes, me diverte, quando abro um sorriso após ler algo que eu mesma escrevi , por exemplo...
Atribuo esses lapsos  à estafa, ao cansaço, à pouca saúde mental enfim...  tenho uma mente proletariada adoecida, que me obriga por ansiedade ou traumas, a produzir o tempo inteiro. 
Esqueço tudo. O que me faz, inclusive uma ótima confidente . 
Com o tempo, percebi dificuldades com arranjos temporais ( planejar horários, calendários  e calcular lógicas dessa natureza são, para mim, um suplício.) E acompanhamento de fofocas que começam com: "a prima do irmão do meu cunhado" por exemplo, me tomam um cálculo divertido  e com isso perco a história. 
Existem, no entanto, um leque de coisas que não me deixo esquecer. 
Obviamente, meu primeiro amor e homem, o dia do nascimento de meus filhos,  dia da assinatura da escritura de minha casa, encontros com meu marido, enfim... essas coisas bem ligadas ao comum e ao espírito burguês, que não devemos esquecer, Miguel, como chamo meu cérebro, guarda bem. 
Fatos desgostosos, desamores,  atritos e outros tropeços, bem como histórias engraçadas. 
Entendi que coisas geralmente ligadas à aprendizados , eu não esqueço.  Tipo moral da história, sabe? O que você aprendeu com isso?  Esse tipo de coisa, Miguel também guarda... penso que ele é um tanto rancoroso... e  isso faz de mim uma pessoa fiel, que atura pouquíssimos erros das pessoas. 
Meu processo reflexivo é pesado e e tem piorado, à medida que estudo e escuto  mais as pessoas.
De todas essas memórias, as ligadas à profissão que escolhi me encantam eternamente.
Assistir uma criança ler comigo, acompanhar processos logicos e argumentos sendo construídos porque fora inserido o pensamento crítico e, sempre a alegria de abraços e carinhos  me tomam tempo nesse envelhecer cerebral... bem como físico, pois meu fascínio de ver ex alunos grandes indo ainda me abraçar depois de velha, arranca_ me sempre um sorriso e uma sensação de escolhas certas.
É impossivel, afirmo, ser professor e não se emocionar com esses fatos comuns à todos nós. 
Dias doídos, pois acompanhamos crianças sofridas também, ganham uma gaveta aqui no arquivo de Miguel .  São dias que tudo o que você quer é pegar aquela criança, família ou situação e, sei lá... apagar.  Mas, não endurecemos... a empatia é uma construção necessária ao magistério.  
Uma lembrança, no entanto, nunca me falha. É como se ela espreitasse sempre, junto às minhas perturbações e coisas obscuras: o dia em que nossa classe apanhou.
Esse dia está marcado em minha mente e retorna frente à qualquer banalização de absurdos. 
retorna diariamente ao ouvir que temos mais de mil brasileiros mortos por dia , mas que a economia tem que funcionar. Retorna ao ouvir que servidores são vagabundos e que professores ensinam sexo em suas salas de aulas. E penso imediatamente, na naturalização de violências. Mas esse dia foi físico.  Esse dia rompeu uma barreira muito clara e simbólica para essa sociedade. Mostrou que a razão e o direito não estão acima da brutalidade, do ódio e da truculência.  Que a barbaridade vence sim a sabedoria e o esclarecimento. Enfim que, numa dualidade abusivamente cristã, o mal vence.
Que os professores não se esqueçam desse dia. 
Que eles não se esqueçam nas mãos de quem estava a caneta que permitiu esse ato.
Que não nos esqueçamos jamais da necessidade de nossa função dentro desse quadro.
Enfim, que, ao anunciar greves e direitos, estejamos todos preparados também, se necessário, com a palmatória.

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Braços cruzados

Aos que insistem em dizer que professores mantiveram-se  sem trabalhar, colocando a população contra esse setor, contra os profissionais de educação, embasando um governo que tem isso como pauta e prioridade desde o inicio de mandato, combato informando que, ao longo do ano de 2020, o poder  público:
Assistiu famílias perderem seus empregos e não garantiu empregabilidade. Lembro que antes da pandemia nosso quadro econômico já não era bom, tampouco com boas perspectivas;
Assisitiu o aumento das violências domésticas e infantis sem apresentar politicas de segurança;
Permaneceu imóvel enquanto os professores desdobravam_se para entrar no mundo digital e contatar seus alunoa, sem nenhum projeto de apoio financeiro ou formativo;
Assistiu o escancaramento da desigualdade social, que mostrou que a pandemia é também sobre faltas de políticas públicas;
Priorizou eleições e campanhas acima das vidas humanas perdidas;
Demonstrou complacência com o setor empresarial, cedendo às pressões e arreganhando as portas dos comércios em nome de uma economia que tem que funcionar, mesmo sabendo que isso aumentaria o número de vitimas;
Entre tantos outros desgovernos que, se eu permanecesse enumerando o texto ficaria muito longo e enfadonho, pois é exatamente o que estamos vivendo diariamente.
Agora, numa atitude desesperada de demonstrar uma normalidade não correspondente ao quadro de perdas de mais de mil vidas por dia no país, falam em reabrir as escolas e seguem, colocando a população contra um setor, citado em todos os seus programas de governo, como essencial, mas que há anos sofre com corte de gastos, falta de aumento salarial, sucateamento sistemático e que mesmo nessas condições, seguia trabalhando...
Ora. Corram  atrás de uma campanha decente de vacinação, ao invés de trazer médicos que falam contra a ciência; assumam  políticas públicas que equalizem o acesso de todos à educação, saneamento básico , saúde emprego e moradia;  garantam infra estrutura e material para escolas que por muitos anos funcionaram sem professor, sem papel higiênico e telhados . Trabalhem como nós trabalhamos ao longo de todos esses anos,  em condições precárias e levando ensino de qualidade para áreas à margem dessa injusta sociedade dirigida por vocês.
Esse é o trabalho de vocês. 
O nosso é ter estrutura para dar aula; ter condições de trabalho e bom acolhimento das crianças. O resto é literalmente trabalho de vocês.
Descruzem portanto, vocês, seus braços. 

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Laissez-faire


Mortos não trabalham
Também não consomem
Nem mortos de fome
Por outro lado
Velhos não trabalham
Tampouco crianças
Só gastam
Pouco consomem
São parasitas sociais
Na balança do capitalismo
Dos estados fascistas 
A morte está sempre presente
Estampada nos jornais
Aliada ao mercado 
E aos sistemas policiais 
E nesse contexto do se "deixar fazer"
Eu só quero viver.Laissez-faire
Mortos não trabalham
Também não consomem
Nem mortos de fome
Por outro lado
Velhos não trabalham
Tampouco crianças
Só gastam
Pouco consomem
São parasitas sociais
Na balança do capitalismo
Dos estados fascistas 
A morte está sempre presente
Estampada nos jornais
Aliada ao mercado 
E aos sistemas policiais 
E nesse contexto do se "deixar fazer"
Eu só quero viver.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Vassouras e gabinetes.

Gosto muito da frase: “Toda vassoura nova varre bem” porque já tentei derrubá-la empiricamente várias vezes e, nunca consegui!  A vassoura nova realmente é maravilhosa! Macia. Logo que começamos a trabalhar com ela, sentimos que a varredura corre com uma delicadeza que nossa… podia ser assim para sempre e essa podia ser a minha vassoura favorita!

Vassouras novas colocam todas as cerdas para trabalhar imediatamente. Correm, fazem o que é pedido e estão sempre ali, caso a pessoa precise. Fazem até o que não gostariam. Varrem o molhado, porque a pessoa a está operando para isso; limpam quintais, ainda que sejam somente para interiores...obedecem aos comandos, sempre, sem, posicionamento acerca de suas funções reais. Sem o poder de responder:


“Olha sra.,  somos vassouras de pisos, não cimento, fazer isso, nos destruirá completamente.”


Elas trabalham, numa lógica de talvez, auto destruírem-se. Cantos sujos e melecados; matam ratos, baratas, enfim... 

Se elas se fizessem entender que sua função não é essa… matar ratos, imagina!

Se elas pudessem falar, apontar os erros… mas tudo é atrelado ao “ e se eu for jogada fora porque não sirvo? E se eu ficar igual aquelas lá, no canto pegando poeira, Deus me livre!

E assim, seguem sujando-se. Enrolando-se com cabelos, pêlos e fios acumulados ao longo dos anos. Normalizando inclusive funções que não são as suas, porque elas servem à tudo que é pedido. Têm que servir ou serão substituídas, colocadas à disposição.

E se fosse só esse o prejuízo, tudo bem…mas passam a espalhar a sujeira ao invés de limpar, passam a alastrar as imundícies, e serem reconhecidas por isso.. deixando claro de uma vez por todas sua incompetência .

Ela será substituída na próxima compra, mesmo tendo feito tudo o que foi pedido.


E se você leu até aqui pensando que eu estava falando só de vassouras, você leu errado.

sábado, 30 de janeiro de 2021

Com muito carinho

 Com colaboração e reflexões de parceira de trabalho, trago esse texto novo, ainda em relação ao retorno às aulas. Em nossa prática, entendemo-nos como um espaço social e educativo, freirianas, portanto de transformação, motivo pelo qual educamos para além dos muros da escola. Educamos nossa comunidade escolar. Educamos com a favela. Somos ainda extremamente preocupadas com a felicidade e bem estar da criança em nosso espaço. São itens presentes em nosso ppp e em nossa prática diária, obviamente.Então, agora, a conversa será com vocês.Comunidade escolar. Crianças e famílias. Não temos certeza mais, sobre o prazer que encontrarão na escola. Estamos em um quadro diferente, todos muito preocupados e incertos, inseguros e sem incentivos para acreditar na Educação que conhecíamos. Não entendemos a escola  somente como um local onde a criança tenha que estar segura durante o período de aulas. Entendemos a educação como um direito infantil, como uma necessidade. Entendemos que somos, nós professores, mediadores e facilitadores desse processo. Por isso, não conseguimos entender como garantir um dia letivo prazeroso, lúdico e alegre para vocês,  sem a coletividade. Sem o compartilhamento de brinquedos e materiais, sem o toque, sem abraços quando vocês se sentirem inseguros, ou sem colo quando vocês chorarem.Não conseguimos entender como cuidar de uma adaptação sem contato. Primeiro, porque não é adaptação, é acolhimento, é toque, é troca, é chorar junto e conversar bem grudado.É enfim, calor humano, aconchego. Não entendemos nem como compartilharemos espaços e nem como brincaremos juntos. 

Aos responsáveis posso afirmar que estamos tão inseguros quanto vocês.

Às crianças, que estamos menos esperançosos e alegres. Sabemos que querem muito reencontrar seus amigos de turma, brincar e conversar com eles. E nós também gostaríamos de estar alegres em relação a esse momento, mas existem sentimentos cinzentos, descoloridos, que superam a alegria. Um deles é a insegurança. É nesse local que estamos. Por isso, a palavra do retorno deve ser paciência. Deve ser, entendimento e diálogo. Diálogo sincero, diálogo para construir rotinas.Não os políticos, cheios de palavras estranhas à prática, mas sim o do chão da escola, como nós professores nos referimos à prática do local da sala de aula. Não nos parece seguro o retorno. Não estamos vacinados. Todos sabemos que as crianças que retornarão primeiro são as que menos entendem os protocolos de segurança e menos conseguem cumprí-los. Não sabemos como faremos para manter todos distantes, de máscara, só se preocupando com higiene e pouco contato, porque enfim, a educação não é isso. E esse texto é para que lembrem, conosco, que educação é amor, é compromisso e coletividade. Educação é segurança sim, mas segurança que estamos todos, famílias, alunos e profissionais, sentindo-nos bem no local em que estamos. Que podemos contar um com o outro para compartilhar dúvidas e inseguranças, êxitos e conquistas. E que podemos nos afagar, porque somos humanos. 

Esse é meu apelo. Não se esqueçam do que realmente é a educação, nesse tempo que seremos obrigadas a sermos chatas, impormos muitas medidas que não entendemos bem. Tenham enfim a paciência, que é também, humana e resiliente. 


sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

A (des) informação


Lembro-me de quando na faculdade, um professor (sempre eles) perguntou para a turma “porque todos os dias, em todos os jornais, a informação das ações em bolsas de valores aparecem?”

Ora, eu não sabia a resposta, mas imediatamente meu cérebro cruzou informações importantes talvez, para a pergunta. Eu aplico em bolsa? Nem entendo bolsa de valores, aplicações, índices, nada… Eu conheço alguém que o faz? Também não… Aplicar em ações não é para qualquer um.. tem que ter dinheiro sobrando… Nossa é mesmo… em horário nobre, a informação também está sempre lá… em todos os meios de comunicação… rádio, televisão, capas de jormais impressos … e a pergunta não era respondida… no meu cérebro no caso, né… porque eu esperava que o professor respondesse então. E assim ele engatou – Informação.

E eu entendi foi nada!

E ele seguiu a linha da necessidade da informação ser passada, mesmo que você não a entenda. Aquilo é falado diariamente e eu gostaria de saber, quem realmente entende o que está em jogo ali, na bolsa, nas ações de empresas. (Vou deixar uma pesquisa nos stories, inclusive) E aquele momento passou. Essa informação ficou para sempre na minha cabeça, talvez por eu não tê-la entendido direito no momento.

Eu fui entender PERFEITAMENTE essa afirmativa muito tempo depois, para falar a verdade, gostaria de cruzar essa informação com a eleição do presidente atual.

Entendam. A linguagem é um fator muito importante para uma sociedade, para uma nação. Não à toa, o povo, por muitas vezes não entende o que é falado nas esferas jurídicas e políticas. (Abrir uma petição para popularizar a linguagem nas esferas oficiais desses poderes deveria ser uma meta, por exemplo).

Mas, pela primeira vez, o povo viu um candidato que falava LITERALMENTE a sua língua. Que falava o que todos entendiam, que falavam como todos pensavam, debochando inclusive das oratórias enganosas dos debates políticos e não comparecendo a eles. Viram uma pessoa que assumia que não entendia de nada e que nomearia pessoas entendidas e competentes para a pasta. E não menos importante, infelizmente, comunicava-se com seus preconceitos, com seus medos cristãos, com incômodos burgueses, com seus ódios, mas sempre, reforçando, com uma linguagem muito acessível, muito clara e muito inflamada.

Pela PRIMEIRA vez, talvez, aquele cidadão, que nunca conseguiu ser politizado, que sempre tratou política como uma coisa para intelectuais e pessoas estudadas; que inclusive, dizia não me importo com política, entre outras frases que pessoas alienizadas (sim, alienadas por alguém, por algum motivo, na maioria das vezes, por falta de oportunidade de estudar para entender, por isso lanço esse termo, que é passivo) atribuem quando são ignorantizadas (mesma logica aqui… licença poética e linguística aplicada), conseguiu fazer parte. Conseguiu estar em um grupo politicamente envolvido.

Se esses sujeitos entendessem de política, saberiam que até no futebol e na religião (principalmente na religião) há política. Saberia que ela está em tudo. Saberia que ela movimenta o dia a dia de nossas vidas, mas não é assim que ele está politizado.

Ele está politizado pelo ódio. Pelo ódio inclusive aos seus, que por não ser politizado, não se entende como integrante de uma mesma classe, e assim temos a linguagem e a informação desinformada liderando opiniões, liderando estatísticas e elegendo presidentes.

Por isso, palmas e gritos, exaltando o que entendem, não me surpreende. A inflamação dos próximos, ao começar e xingar, mandando a imprensa que divulgou compras superfaturadas de itens supérfluos num país onde muitos passam fome, “ enfiar no rabo”, o incentivo pela falta de decoro, não me é estranho mais.

É da forma que expliquei aqui, nessa reflexão que entendo, muito embora gostaria que aproveitassem o momento de politização para aprofundarem suas percepções e acompanharem, de fato, o que acontece no cruzo do seu dia a dia com a política.

quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Gerador de lero lero

O título é referência de uma skill da  Alexa, uma inteligência artificial bem avançada , que traz a  habilidade para elaborar discursos cheios de palavras complicadas e técnicas, mas vazio em ações e efetividade; é o famoso “enchendo linguiça” ou, fala prolixa.

A fala prolixa serve para, além de demonstrar uma capacidade envolvente e incrível do orador, fazer com que você se sinta seguro (a), ainda que não passe em si uma mensagem muito clara.

É comum também observarmos o uso de gerundismo, frequentes no meio corporativo (estaremos fazendo, estaremos pensando, estaremos enviando, estaremos começando…) para que você tenha a sensação de continuidade de algo que você provavelmente não entendeu mas, que está enfim “sendo feito”. Por fim, temos ainda a falta de apresentação de fontes de estudos nesses discursos.

Não por acaso, é uma linguagem seguramente presente em discursos políticos, que estão sempre no gerúndio.

Ontem, durante a presentação do plano de retorno às aulas do município do Rio de Janeiro, não faltaram gerúndios; logo, não faltaram também professores sentindo segurança no que estava sendo apresentado.

Sim, os professores, que não serão vacinados para este retorno sentiram-se seguros. Os professores que não foram citados em diversas preocupações do governo, sentiram-se seguros. Eu sinceramente gostaria de enxergar a realidade como eles. Sentir-me segura em adentrar numa sala com 10 ou mais crianças, todos sem vacina, para “estar fazendo” um projeto que a Secretaria “estará elaborando” para que nossos alunos “estejam realizando”. Queria entender somente uma proposta efetiva do que foi dito ali. Queria uma fala no presente. Uma fala concisa, que acabasse com dúvidas e inseguranças.

Ali, na apresentação desse plano oco, eu só conseguia pensar que errei muito na escolha da minha carreira, da profissão que carregava com orgulho, de uma prática pedagógica de excelência desempenhada e de todos os anos e leituras investidos. Veio o famoso nó na garganta, junto com um choro, não de raiva, mas de dor mesmo. De sentir que somos realmente desumanizados, que não importamos tanto assim quanto a sociedade fala. Eu só entendia que poderia morrer e falas como Alguns vão morrer, lamento, essa é a vida” e “todo mundo vai morrer um dia”. Passaram pela minha cabeça, como se justificasse a ação e sua importância social.

Então invejo quem sentiu segurança nas falas, peço inclusive que passem para mim o que entenderam.

Até lá, estarei fazendo todo o esforço do mundo para não estar voltando sem ações concisas.

Pro lixo com prolixo.


quarta-feira, 27 de janeiro de 2021

O retorno às aulas.


Parabenizo à sociedade que pressionou o setor da Educação para um retorno às aulas.
Através da luta de vocês, teremos nossas escolas funcionando a partir de 8 de Fevereiro deste ano de 2021.
Com essa luta, teremos novamente as crianças nas escolas, protegidas dos adultos violentos de suas próprias famílias durante 3 horas. Depois voltarão, e seguirão sem políticas de proteção, pois somente a escola pode salvá-la.
Com essa luta, as crianças também terão a garantia de uma alimentação diária, se matriculada. Sua família e irmão podem seguir passando fome pois também a segurança alimentar infantil não é tão importante quanto a escola funcionando.
Com a luta de vocês, os professores trabalharão sem estarem vacinados, podendo infectar sua família através da criança e a dele.
Podendo morrer.
Com a luta de vocês, mantemos a política imediatista e da educação redentora. Quando a escola está aberta, as crianças estão salvas.
Talvez o desemprego, a fome também se resolvam quando a escola voltar.
Talvez todos morram em nome de uma economia que tem que funcionar.
Mas uma coisa vocês com certeza foram exitosos nessa luta.
A escola não é pedagógica mais. A escola finalmente é, com o reconhecimento de toda a sociedade, um cabideiro. Um depósito infantil. E os professores são, nada mesmo. Babás talvez nesse caso, pois pergunto-me como garantir qualidade pedagógica sem interação e cumprindo isolamento social? Na minha cabeça, a qualidade pedagógica não é pré requisito. Muito se fala sobre o protocolo… fora da sala de aula. Dentro dela, só nós professores sabemos o que pode acontece. Por isso nosso medo. Por isso nosso receio.
Mas sua luta, que podia ser na base, cobrando tudo, independente da escola, inclusive conectividade e estudo para o professor, estrutura para ele que trabalhou na pandemia com seus próprios recursos e sua própria formação.
Mas não.
Você só quer que a escola abra.
Que os vagabundos voltem ao trabalho.
Que a economia volte a funcionar.
Você é representante desse governo.
Você não liga para a vida.
Eu não.
Você está de parabéns.
Eu estou com medo, pois não trabalharei morta.

Tem que voltar



Dentro das reflexões acerca do  tema de retorno às aulas presenciais, juntei tudo o que está acontecendo para chegar à uma verdade muito triste e controversa talvez. Então peço que contribuam com a linha de pensamento aqui colococada.
Primeiro observei a banalização da vida sobre o mercado ( o que é claramente uma estratégia que agrada a economia porque no saldo, as vidas ceifadas sempre serão um alívio previdenciário.  Como vimos, não foram 200 mil famosos milionários ou banqueiros que morreram. Em sua maioria é o pobre que morre. Quando é pobre e velho alivia 2 vezes os cofres. Sigamos portanto, pulando descaradamente a falta de eficácia do governo frente à pandemia e o incentivo à morte em si, porque isso é muito claro para explicar aqui. Vamos direto agora,  ao ponto aqui. Volta às aulas sendo apoiada por setores como o mercado, o hospitalar( pediatras psicólogos e outros profissionais da ciência já se colocaram a necessidade do retorno às aulas,diversas vezes na mídia) e essa última também mostra-se a favor do retorno. 
Obviamente, o mercado não liga para vidas. 
O assustador é que temos profissionais de saúde, políticos e mídia apoiando um retorno para o mercado. Legislando e atendendo à distância em seus gabinetes e consultórios, apoiando o.retorno presencial de aulas.
Separo duas questões dentro dessa observação. 
Uma é que os pedagogos ( estudiosos da educação) não são ouvidos.  Claro. A sua maioria segue exercendo a profissão ou tem contato constante com o campo e sabe da impossibilidade disso ser tranquilo na  pandemia o suficiente para sentir sintomas psicossomáticos,  só de pensar. Mas para além disso  temos a desvalorização sistemática de nossos profissionais. De nossos pensadores. O ataque constante de governos que cansam de anunciar à necessidade de termos educação publica de qualidade mas nunca propôs um plano de carreira decente para que esse pilar precioso fosse realmente valorizado. Não ganhamos bem. Não ganhamos nada bem. Ninguém da classe ganha bem. Dentro desse ataque sistemático temos as crianças né.  Elas Então.... muito menos são ouvidas em nada. As crianças são ignoradas e invisibilizadas desde sempre. E aqui trago um desafio à todos que pensam infancia e Educação.  Dispam_ se do romance, da lindeza da infância.  Das  gracinha infantis, dispam- se da satisfação de alfabetizar alguém e da alegria de montar um projeto bancado por vc mesmo e vê lo dando certo porque sua escola não tem recursos. Pensem em tudo que faz da escola e da infância esse lugar tão etéreo e sagrado. Tão inatingível e seguro até as que tenham somente vcs seu trabalho e crianças.  O que teremos?
Nada né. 

Somos desumanizados. 

Junto com as crianças. 

Isso é uma reflexão, não darei evidências  porque nesse momente sei que doeu para cada um de nós essa conclusão.
Repensem nossos papeis sociais; nossa capacidade de produção de ajustamento, de empenho, de auto financiamento, de redes.
Entendamos que a educação não pode ser ao mesmo tempo um pilar social e não ter investimento, corpo ativo. E nós não podemos ser a maior rede da América latina somente para dizer que os desafios de estruturação são muitos. Somos a maior rede da america Latina.  Façamo_ los sentir.

A pandemia, o trabalho e o lazer

Engraçado observar como que a falta de consciência de classe impacta muitos aspectos da nossa vida, para além do trabalho em si, que é onde esse conceito é formado.

Basicamente, só para esclarecimento rápido de quem lê, consciência de classe é você saber seu lugar social, entendendo que se você vende sua mão de obra, seja ela intelectual ou braçal, você é proletariado e pobre, e se você ganha dinheiro dormindo, você é rico. Sim. Isso facilita muito a autoidentificação desse local.

Agora que você já fez sua auto análise e já se identificou como pobre ou rico, (e na verdade tenho certeza que, se você se identificou como pobre, somente, segue lendo … o rico parou lá na primeira frase em :”consciência de classe” e só começou a ler porque pensou que eu fosse defender que “tem que trabalhar na pandemia”) podemos continuar aqui traçando a lógica que é intrigante, no mínimo.

Quero analisar o proletariado que, é tão preso à sua rotina de trabalho, é tão escravo do capital, tão, tão… que defende que todos devem trabalhar normalmente (e sua rotina, provavelmente, contém aglomerações e inúmeras possibilidades de contágios, seja nos transportes públicos que acessa para o local de trabalho em horários, agora normalizado ou seja, retornando à picos de movimento, seja com contato com assintomáticos, ou com objetos também assintomáticos) e ataca o lazer. Sim… porque o lazer é a vagabundagem, a vadiagem, o prazer… e gente… entendam: Proletariado à serviço do capital não pode ter isso. Não pode ter prazer, não pode ser um vadio. Tem que ser trabalhador. Somente. E se é trabalhador, nessa dualidade que também servimos graças à religião (mas isso é assunto para outro dia) não pode ser vadio, não pode vagabundiar! Inclusive chama-me muita atenção, em entrevistas principalmente em áreas “conflagradas” onde acontecem mortes violentas e truculentas pelos “representantes do Estado” (ops… outro assunto para outro dia), que em entrevistas, geralmente quando morre um inocente, a defesa primordial dele é que era “trabalhador” o que quer NECESSARIAMENTE dizer que não era um vagabundo (lembro ainda que vagabundo é gíria de pessoas que são atreladas à criminalidade. Nossa linguagem será assuntos de muitos outros dias).

A crise de consciência é tão grande que, se eu trabalhar a semana inteira e no sábado à tarde, ao comprar pão, parar e beber uma cerveja em um bar (com medidas restritivas aplicadas porque não é de noite, nem no Leblon), e apresentar sintomas logo depois, eu terei a CERTEZA que me infectei na hora da cerveja. O mesmo exemplo pode ser aplicado para praias e demais movimentos de lazer.

Vejam: não defendo a aglomeração, nem que as pessoas parem de se proteger, muito pelo contrário, defendo que se elas não podem ter lazer, que também não possam trabalhar. E nem é esse o objetivo deste texto.

Quero que reflitamos acerca de nossas amarras proletárias, que observemos nossa dependência psico social do capital e de sua maquinaria.

Lembro de Chaplin em Tempos modernos, que seu sonho era a vadiagem. Era não trabalhar, não ser sugado pelas máquinas que o fizeram na cena épica desse filme perfeito e a pergunta que cravo é: Porque nós mesmos não nos damos o direito de vadiar, quando devemos sempre, trabalhar?