segunda-feira, 22 de março de 2021
O que é fazer xuca, ops .. Xuxa.
Descaso
Tal qual cachorro
Esforço sem leito e oxigênio, em vão
Sem socorro
Destino certo
Ele morre
Tu morres
Eu também
Morro.
Ao criminoso e vil, chefe do executivo do Brasil
E sobre o amor
Era posse e dor
Que ele era meu e eu dele
E que ciúme era valor
Recebi do universo
Esse homem complexo
Pouco romântico
Muito sincero
Humilde
Cheio de saberes
E ao aprendizado aberto.
De mim, o oposto
Carrega sorriso no rosto
E o peito, apesar de apertado
Sempre alegrado
Balançou balanceando,
Eu com minha seriedade chata
Problematizadora nata
Aprendi com ele
O que da vida tem encanto
Sorrisos dos filhos
Comida na mesa
Saúde , amor e fartura
Sem faltar a ternura
Jogo de cintura
Na riqueza e na pobreza.
Demorou 13 anos ...
Mas aprendi !
E em tempos ruins ele me abraça
E quando estou feliz ele sorri
PEC a dor
Troca de cabestro
AI_5
A placa
8/3/2021
Da fraquejada
Do feminicídio epidêmico
Da vítima culpada;
Da transformação do assédio em gentileza
Da honra como legítima defesa
Do "não te estupro porque você não merece"
Da política que extermina nossos frutos
Da saudade e da dor que não se esquece.
Perceba que, diariamente, nosso viver é dor
Nesse dia, não me ofereça nada além de empatia, luta e amor
Nenhum bombom é capaz de preencher esses vazios existenciais
Eu só quero viver, em paz.
E agora José ( a antítese)
Matemática
Necessariamente
Que se eu adoecer
Ficarei ao relento
Na rua, jogada e nua
Sem ar
Feia e torta
Fria e morta.
Para Lula
Abutre
Ciência pra quê?
Dessa forma, obviamente, ele não estará nos ônibus lotados de manhã ou no fim da tarde... aliás, tampouco no trabalho em si. Há de se respeitar homens de bem que têm família para sustentar, ora!
Nessa lógica, mercados, farmácias, lojas em geral estão também salvos desse vagabundo, porque todos ali estão atrás de subsistência, ou como mão de obra ou como consumidores... deve ser essa a razão dos afrouxamentos de protocolos sanitários nesses locais, inclusive. Para que, senhores, passar álcool em gel e respeitar lotação em mercados, se o vírus não está lá?
(Deve estar se enroscando em alguma vagabunda pelas ruas, chutando latinhas, numa roda de samba... isso sim!)
Para que usar máscara enfim né... se sou cidadão de bem, pago meus impostos...
O vírus anda em manifestações culturais populares; aquelas desprezadas pela burguesia, porque além de desocupado, o vírus não carrega um pingo de gosto pela cultura. Ele não está nos museus e centros culturais; nem em casas de chá e restaurantes onde podemos apreciar uma boa refeição, com um bom vinho e música erudita.
O vírus, como tudo que é ruim no imaginário brasileiro, é preto, pobre, macumbeiro, malandro e boêmio. Personificado como Zé pilintra, como o povo da rua.
O vírus é o diabo.
Se você, portanto, precisar de ajuda... se estiver possuído por esse encosto, vá até a igreja neo pentecostal mais próxima e peça que o pastor retire o covid de seu corpo.
SAI AGORA, COVID! SAIA DESSE CORPO QUE NÃO LHE PERTENCE"
Ela tem Algodão-doce no cérebro.
Entender mais do que saber.
Escutar mais do que falar;
Agradecer mais do que pedir e perder-me em momentos de paz.
Momentos de quietude, onde o amor está por toda a parte; está, literalmente.
E com a intenção de apalpa-lo, numa abstração imaginativa de minha mente e paladar, por vezes infantis, de fato o materializa em flocos de algodão-doce, quando posso então, pegar um chumaço e me lambuzar com ele.
Meus amores carregam sabores diferentes nesse delírio. Meu filho possui uma névoa leve e cremosa, como que um sorvete em um dia quente, refrescante, jovem, despreocupado e confortante... seria meu chocolate. O ar de minha filha é, sem dúvida tutti frutti, bem doce. Apirulitado, que me deixa grudenta... como o mormaço. Meu marido exala um doce alcoólico, apimentado e leve. É um sabor adulto e acre.
Eu não sei qual sabor exalo. De fato, nenhum, pois nesses momentos sou contemplativa e permaneço embuçada, para que minha bruma neutra seja esponja e me permita, depois, quando a saudade apertar o peito, degustar, em meu palito enevoado, todos os sabores recolhidos de atmosferas do amor
Sororidade
Estou cansada e com dores.
Minhas dores são físicas.... daquelas que me desanimam porque trazem com elas o peso de ser mulher.
O peso de sentir dores constantemente... só por ser mulher mesmo.
E enquamto eu fazia nada, lamentando esse dia pouco produtivo, minha amiga mostra em suas redes,
Encorajada, um pequeno poema que fez...
E me marcou.
E disse amigos, que um dos motivos dela escrever... sou eu.
Como parar?
Como nao escrever hoje?
Justo hoje... dia que a sororidade me arrebata, finalmente.
Dia que o amor prevalece
Dia que comemoro uma amiga não rival.
Somos criadas para sermos rivais,
Somos criadas para competir
E nessa corrida
Eu só quero
Chegar por último
Com amor.
Para Rafaela e todas as amigas que celebram uma amizade real.
Kamilla Broedel
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021
o BBB e os comitês científicos
A seleção há de ter sido feita da mesma forma que a escolha do "elenco" do BBB. Destruindo a ciência e seus profissionais que correm, sofrem e arriscam-se como nunca antes, assistindo, apesar de seus esforços e luta, milhões de pessoas morrerem. Que juraram proteger a vida acima de tudo, e assistem a banalização dela.
Essas pessoas serão lembradas na história, bem como seus governantes.
Como diz o (agora esquerdista, mas não… nunca será) Reinaldo de Azevedo, " No Brasil Nunca mais COVID-19, seus nomes estarão lá"… no índice, em letras como B, P, F, C, S... e tantos outros que permitiram contágios e mortes, sem se responsabilizar e tomar medidas à favor da vida que desagradem o mercado e o capitalismo no estágio mais cruel, na barbárie.
Meu nome jamais estará no B.
Meu nome jamais rolará nessa lama.
terça-feira, 9 de fevereiro de 2021
A juventude das árvores ( eu e meus frutos)
segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021
Liturgia letárgica
Miguel
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
Braços cruzados
Assistiu famílias perderem seus empregos e não garantiu empregabilidade. Lembro que antes da pandemia nosso quadro econômico já não era bom, tampouco com boas perspectivas;
Assisitiu o aumento das violências domésticas e infantis sem apresentar politicas de segurança;
Permaneceu imóvel enquanto os professores desdobravam_se para entrar no mundo digital e contatar seus alunoa, sem nenhum projeto de apoio financeiro ou formativo;
Assistiu o escancaramento da desigualdade social, que mostrou que a pandemia é também sobre faltas de políticas públicas;
Priorizou eleições e campanhas acima das vidas humanas perdidas;
Demonstrou complacência com o setor empresarial, cedendo às pressões e arreganhando as portas dos comércios em nome de uma economia que tem que funcionar, mesmo sabendo que isso aumentaria o número de vitimas;
Entre tantos outros desgovernos que, se eu permanecesse enumerando o texto ficaria muito longo e enfadonho, pois é exatamente o que estamos vivendo diariamente.
Agora, numa atitude desesperada de demonstrar uma normalidade não correspondente ao quadro de perdas de mais de mil vidas por dia no país, falam em reabrir as escolas e seguem, colocando a população contra um setor, citado em todos os seus programas de governo, como essencial, mas que há anos sofre com corte de gastos, falta de aumento salarial, sucateamento sistemático e que mesmo nessas condições, seguia trabalhando...
Ora. Corram atrás de uma campanha decente de vacinação, ao invés de trazer médicos que falam contra a ciência; assumam políticas públicas que equalizem o acesso de todos à educação, saneamento básico , saúde emprego e moradia; garantam infra estrutura e material para escolas que por muitos anos funcionaram sem professor, sem papel higiênico e telhados . Trabalhem como nós trabalhamos ao longo de todos esses anos, em condições precárias e levando ensino de qualidade para áreas à margem dessa injusta sociedade dirigida por vocês.
Esse é o trabalho de vocês.
O nosso é ter estrutura para dar aula; ter condições de trabalho e bom acolhimento das crianças. O resto é literalmente trabalho de vocês.
Descruzem portanto, vocês, seus braços.
quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021
Laissez-faire
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021
Vassouras e gabinetes.
Vassouras novas colocam todas as cerdas para trabalhar imediatamente. Correm, fazem o que é pedido e estão sempre ali, caso a pessoa precise. Fazem até o que não gostariam. Varrem o molhado, porque a pessoa a está operando para isso; limpam quintais, ainda que sejam somente para interiores...obedecem aos comandos, sempre, sem, posicionamento acerca de suas funções reais. Sem o poder de responder:
“Olha sra., somos vassouras de pisos, não cimento, fazer isso, nos destruirá completamente.”
Elas trabalham, numa lógica de talvez, auto destruírem-se. Cantos sujos e melecados; matam ratos, baratas, enfim...
Se elas se fizessem entender que sua função não é essa… matar ratos, imagina!
Se elas pudessem falar, apontar os erros… mas tudo é atrelado ao “ e se eu for jogada fora porque não sirvo? E se eu ficar igual aquelas lá, no canto pegando poeira, Deus me livre!
E assim, seguem sujando-se. Enrolando-se com cabelos, pêlos e fios acumulados ao longo dos anos. Normalizando inclusive funções que não são as suas, porque elas servem à tudo que é pedido. Têm que servir ou serão substituídas, colocadas à disposição.
E se fosse só esse o prejuízo, tudo bem…mas passam a espalhar a sujeira ao invés de limpar, passam a alastrar as imundícies, e serem reconhecidas por isso.. deixando claro de uma vez por todas sua incompetência .
Ela será substituída na próxima compra, mesmo tendo feito tudo o que foi pedido.
E se você leu até aqui pensando que eu estava falando só de vassouras, você leu errado.
sábado, 30 de janeiro de 2021
Com muito carinho
Com colaboração e reflexões de parceira de trabalho, trago esse texto novo, ainda em relação ao retorno às aulas. Em nossa prática, entendemo-nos como um espaço social e educativo, freirianas, portanto de transformação, motivo pelo qual educamos para além dos muros da escola. Educamos nossa comunidade escolar. Educamos com a favela. Somos ainda extremamente preocupadas com a felicidade e bem estar da criança em nosso espaço. São itens presentes em nosso ppp e em nossa prática diária, obviamente.Então, agora, a conversa será com vocês.Comunidade escolar. Crianças e famílias. Não temos certeza mais, sobre o prazer que encontrarão na escola. Estamos em um quadro diferente, todos muito preocupados e incertos, inseguros e sem incentivos para acreditar na Educação que conhecíamos. Não entendemos a escola somente como um local onde a criança tenha que estar segura durante o período de aulas. Entendemos a educação como um direito infantil, como uma necessidade. Entendemos que somos, nós professores, mediadores e facilitadores desse processo. Por isso, não conseguimos entender como garantir um dia letivo prazeroso, lúdico e alegre para vocês, sem a coletividade. Sem o compartilhamento de brinquedos e materiais, sem o toque, sem abraços quando vocês se sentirem inseguros, ou sem colo quando vocês chorarem.Não conseguimos entender como cuidar de uma adaptação sem contato. Primeiro, porque não é adaptação, é acolhimento, é toque, é troca, é chorar junto e conversar bem grudado.É enfim, calor humano, aconchego. Não entendemos nem como compartilharemos espaços e nem como brincaremos juntos.
Aos responsáveis posso afirmar que estamos tão inseguros quanto vocês.
Às crianças, que estamos menos esperançosos e alegres. Sabemos que querem muito reencontrar seus amigos de turma, brincar e conversar com eles. E nós também gostaríamos de estar alegres em relação a esse momento, mas existem sentimentos cinzentos, descoloridos, que superam a alegria. Um deles é a insegurança. É nesse local que estamos. Por isso, a palavra do retorno deve ser paciência. Deve ser, entendimento e diálogo. Diálogo sincero, diálogo para construir rotinas.Não os políticos, cheios de palavras estranhas à prática, mas sim o do chão da escola, como nós professores nos referimos à prática do local da sala de aula. Não nos parece seguro o retorno. Não estamos vacinados. Todos sabemos que as crianças que retornarão primeiro são as que menos entendem os protocolos de segurança e menos conseguem cumprí-los. Não sabemos como faremos para manter todos distantes, de máscara, só se preocupando com higiene e pouco contato, porque enfim, a educação não é isso. E esse texto é para que lembrem, conosco, que educação é amor, é compromisso e coletividade. Educação é segurança sim, mas segurança que estamos todos, famílias, alunos e profissionais, sentindo-nos bem no local em que estamos. Que podemos contar um com o outro para compartilhar dúvidas e inseguranças, êxitos e conquistas. E que podemos nos afagar, porque somos humanos.
Esse é meu apelo. Não se esqueçam do que realmente é a educação, nesse tempo que seremos obrigadas a sermos chatas, impormos muitas medidas que não entendemos bem. Tenham enfim a paciência, que é também, humana e resiliente.
sexta-feira, 29 de janeiro de 2021
A (des) informação
Lembro-me de quando na faculdade, um professor (sempre eles) perguntou para a turma “porque todos os dias, em todos os jornais, a informação das ações em bolsas de valores aparecem?”
Ora, eu não sabia a resposta, mas imediatamente meu cérebro cruzou informações importantes talvez, para a pergunta. Eu aplico em bolsa? Nem entendo bolsa de valores, aplicações, índices, nada… Eu conheço alguém que o faz? Também não… Aplicar em ações não é para qualquer um.. tem que ter dinheiro sobrando… Nossa é mesmo… em horário nobre, a informação também está sempre lá… em todos os meios de comunicação… rádio, televisão, capas de jormais impressos … e a pergunta não era respondida… no meu cérebro no caso, né… porque eu esperava que o professor respondesse então. E assim ele engatou – Informação.
E eu entendi foi nada!
E ele seguiu a linha da necessidade da informação ser passada, mesmo que você não a entenda. Aquilo é falado diariamente e eu gostaria de saber, quem realmente entende o que está em jogo ali, na bolsa, nas ações de empresas. (Vou deixar uma pesquisa nos stories, inclusive) E aquele momento passou. Essa informação ficou para sempre na minha cabeça, talvez por eu não tê-la entendido direito no momento.
Eu fui entender PERFEITAMENTE essa afirmativa muito tempo depois, para falar a verdade, gostaria de cruzar essa informação com a eleição do presidente atual.
Entendam. A linguagem é um fator muito importante para uma sociedade, para uma nação. Não à toa, o povo, por muitas vezes não entende o que é falado nas esferas jurídicas e políticas. (Abrir uma petição para popularizar a linguagem nas esferas oficiais desses poderes deveria ser uma meta, por exemplo).
Mas, pela primeira vez, o povo viu um candidato que falava LITERALMENTE a sua língua. Que falava o que todos entendiam, que falavam como todos pensavam, debochando inclusive das oratórias enganosas dos debates políticos e não comparecendo a eles. Viram uma pessoa que assumia que não entendia de nada e que nomearia pessoas entendidas e competentes para a pasta. E não menos importante, infelizmente, comunicava-se com seus preconceitos, com seus medos cristãos, com incômodos burgueses, com seus ódios, mas sempre, reforçando, com uma linguagem muito acessível, muito clara e muito inflamada.
Pela PRIMEIRA vez, talvez, aquele cidadão, que nunca conseguiu ser politizado, que sempre tratou política como uma coisa para intelectuais e pessoas estudadas; que inclusive, dizia não me importo com política, entre outras frases que pessoas alienizadas (sim, alienadas por alguém, por algum motivo, na maioria das vezes, por falta de oportunidade de estudar para entender, por isso lanço esse termo, que é passivo) atribuem quando são ignorantizadas (mesma logica aqui… licença poética e linguística aplicada), conseguiu fazer parte. Conseguiu estar em um grupo politicamente envolvido.
Se esses sujeitos entendessem de política, saberiam que até no futebol e na religião (principalmente na religião) há política. Saberia que ela está em tudo. Saberia que ela movimenta o dia a dia de nossas vidas, mas não é assim que ele está politizado.
Ele está politizado pelo ódio. Pelo ódio inclusive aos seus, que por não ser politizado, não se entende como integrante de uma mesma classe, e assim temos a linguagem e a informação desinformada liderando opiniões, liderando estatísticas e elegendo presidentes.
Por isso, palmas e gritos, exaltando o que entendem, não me surpreende. A inflamação dos próximos, ao começar e xingar, mandando a imprensa que divulgou compras superfaturadas de itens supérfluos num país onde muitos passam fome, “ enfiar no rabo”, o incentivo pela falta de decoro, não me é estranho mais.
É da forma que expliquei aqui, nessa reflexão que entendo, muito embora gostaria que aproveitassem o momento de politização para aprofundarem suas percepções e acompanharem, de fato, o que acontece no cruzo do seu dia a dia com a política.
quinta-feira, 28 de janeiro de 2021
Gerador de lero lero
A fala prolixa serve para, além de demonstrar uma capacidade envolvente e incrível do orador, fazer com que você se sinta seguro (a), ainda que não passe em si uma mensagem muito clara.
É comum também observarmos o uso de gerundismo, frequentes no meio corporativo (estaremos fazendo, estaremos pensando, estaremos enviando, estaremos começando…) para que você tenha a sensação de continuidade de algo que você provavelmente não entendeu mas, que está enfim “sendo feito”. Por fim, temos ainda a falta de apresentação de fontes de estudos nesses discursos.
Não por acaso, é uma linguagem seguramente presente em discursos políticos, que estão sempre no gerúndio.
Ontem, durante a presentação do plano de retorno às aulas do município do Rio de Janeiro, não faltaram gerúndios; logo, não faltaram também professores sentindo segurança no que estava sendo apresentado.
Sim, os professores, que não serão vacinados para este retorno sentiram-se seguros. Os professores que não foram citados em diversas preocupações do governo, sentiram-se seguros. Eu sinceramente gostaria de enxergar a realidade como eles. Sentir-me segura em adentrar numa sala com 10 ou mais crianças, todos sem vacina, para “estar fazendo” um projeto que a Secretaria “estará elaborando” para que nossos alunos “estejam realizando”. Queria entender somente uma proposta efetiva do que foi dito ali. Queria uma fala no presente. Uma fala concisa, que acabasse com dúvidas e inseguranças.
Ali, na apresentação desse plano oco, eu só conseguia pensar que errei muito na escolha da minha carreira, da profissão que carregava com orgulho, de uma prática pedagógica de excelência desempenhada e de todos os anos e leituras investidos. Veio o famoso nó na garganta, junto com um choro, não de raiva, mas de dor mesmo. De sentir que somos realmente desumanizados, que não importamos tanto assim quanto a sociedade fala. Eu só entendia que poderia morrer e falas como “Alguns vão morrer, lamento, essa é a vida” e “todo mundo vai morrer um dia”. Passaram pela minha cabeça, como se justificasse a ação e sua importância social.
Então invejo quem sentiu segurança nas falas, peço inclusive que passem para mim o que entenderam.
Até lá, estarei fazendo todo o esforço do mundo para não estar voltando sem ações concisas.
Pro lixo com prolixo.
quarta-feira, 27 de janeiro de 2021
O retorno às aulas.
Tem que voltar
A pandemia, o trabalho e o lazer
Engraçado observar como que a falta de consciência de classe impacta muitos aspectos da nossa vida, para além do trabalho em si, que é onde esse conceito é formado.
Basicamente, só para esclarecimento rápido de quem lê, consciência de classe é você saber seu lugar social, entendendo que se você vende sua mão de obra, seja ela intelectual ou braçal, você é proletariado e pobre, e se você ganha dinheiro dormindo, você é rico. Sim. Isso facilita muito a autoidentificação desse local.
Agora que você já fez sua auto análise e já se identificou como pobre ou rico, (e na verdade tenho certeza que, se você se identificou como pobre, somente, segue lendo … o rico parou lá na primeira frase em :”consciência de classe” e só começou a ler porque pensou que eu fosse defender que “tem que trabalhar na pandemia”) podemos continuar aqui traçando a lógica que é intrigante, no mínimo.
Quero analisar o proletariado que, é tão preso à sua rotina de trabalho, é tão escravo do capital, tão, tão… que defende que todos devem trabalhar normalmente (e sua rotina, provavelmente, contém aglomerações e inúmeras possibilidades de contágios, seja nos transportes públicos que acessa para o local de trabalho em horários, agora normalizado ou seja, retornando à picos de movimento, seja com contato com assintomáticos, ou com objetos também assintomáticos) e ataca o lazer. Sim… porque o lazer é a vagabundagem, a vadiagem, o prazer… e gente… entendam: Proletariado à serviço do capital não pode ter isso. Não pode ter prazer, não pode ser um vadio. Tem que ser trabalhador. Somente. E se é trabalhador, nessa dualidade que também servimos graças à religião (mas isso é assunto para outro dia) não pode ser vadio, não pode vagabundiar! Inclusive chama-me muita atenção, em entrevistas principalmente em áreas “conflagradas” onde acontecem mortes violentas e truculentas pelos “representantes do Estado” (ops… outro assunto para outro dia), que em entrevistas, geralmente quando morre um inocente, a defesa primordial dele é que era “trabalhador” o que quer NECESSARIAMENTE dizer que não era um vagabundo (lembro ainda que vagabundo é gíria de pessoas que são atreladas à criminalidade. Nossa linguagem será assuntos de muitos outros dias).
A crise de consciência é tão grande que, se eu trabalhar a semana inteira e no sábado à tarde, ao comprar pão, parar e beber uma cerveja em um bar (com medidas restritivas aplicadas porque não é de noite, nem no Leblon), e apresentar sintomas logo depois, eu terei a CERTEZA que me infectei na hora da cerveja. O mesmo exemplo pode ser aplicado para praias e demais movimentos de lazer.
Vejam: não defendo a aglomeração, nem que as pessoas parem de se proteger, muito pelo contrário, defendo que se elas não podem ter lazer, que também não possam trabalhar. E nem é esse o objetivo deste texto.
Quero que reflitamos acerca de nossas amarras proletárias, que observemos nossa dependência psico social do capital e de sua maquinaria.
Lembro de Chaplin em Tempos modernos, que seu sonho era a vadiagem. Era não trabalhar, não ser sugado pelas máquinas que o fizeram na cena épica desse filme perfeito e a pergunta que cravo é: Porque nós mesmos não nos damos o direito de vadiar, quando devemos sempre, trabalhar?