segunda-feira, 22 de março de 2021

O que é fazer xuca, ops .. Xuxa.

Hoje vai ter uma festa!
Aglomeração, muita gente vem me ver er
É o meu aniversário. 
Liberdade já! Os tanques podem resolver er 

Trezentos mil mortos,
Com subnotificação 
Anuncio um golpe,  incito a população 
O gado bate palma quando falo de se armar
Junto com os verde oliva, vamos lá! 

Parabéns uhul
Parabéns uhul
Não tem mais vacina, a saúde por um triz iz
Parabéns uhul
Parabéns uhul
A máscara de vocês fica embaixo do nariz izzzz 

Eh pique é pique
Que o patrimônio se triplique 
É hora É hora
O Queiroz me assessora
Rá Tim bum
Genocida, genocida, genocida!

Descaso

O corpo com a cara coberta no chão
Tal qual cachorro
Esforço sem leito e  oxigênio, em vão
Sem socorro
Destino certo
Ele morre
Tu morres
Eu também
Morro. 

Ao criminoso e vil, chefe do executivo do Brasil

Se é censurado o atribuir o termo a quem 
causa desgraça no país inteiro
Chamemo_lo de  ceifeiro. 

Se o nome oficial 
Traz má sorte
Usaremos anjo da morte 

Executor, capataz, sanguinário, 
Desalmado, salafrário
Criminoso, sicário.
Algoz mortal,  amante de calvário. 

Sedento por sangue, bandoleiro 
facínora, traiçoeiro,
Homicida pistoleiro
Desalmado, cangaceiro 

Que com tamanho desprezo à vida
Ao transpasse final, com política homicida, 
Incentivando à caminhada suicida, 
Só pode ser chamado genocida. 

E sobre o amor

E eu que achava que o amor
Era posse e dor
Que ele era meu e eu dele
E que ciúme era valor

Recebi do universo
Esse homem complexo
Pouco romântico
Muito sincero
Humilde
Cheio de saberes
E ao aprendizado aberto.

De mim, o oposto
Carrega sorriso no rosto
E o peito, apesar de apertado
Sempre alegrado

Balançou balanceando,
Eu com minha seriedade chata
Problematizadora nata
Aprendi com ele
O que da vida tem encanto

Sorrisos dos filhos
Comida na mesa
Saúde , amor e fartura
Sem faltar a ternura
Jogo de cintura
Na riqueza e na pobreza.

Demorou 13 anos ...
Mas aprendi !
E em tempos ruins ele me abraça
E quando estou feliz ele sorri





PEC a dor


Daqui há 15 anos 
Eu terei 53, meus filhos 18 e 30
600 alunos, em 30 turmas atendidas
Ao longo de 3000 dias letivos
Com o salário ativo
Sangrento e sagrado 
Sem requinte
De 2020.

Troca de cabestro

O fardo da farda
Passa agora para o jaleco do cientista 
A ciência, então respalda
A continuidade malfadada 
Da política negacionista.

AI_5

Aí mais de 5 motivos
P você ler uns livros 
Sobre a levantada do Estado fascista
Sobre a queda da democracia, já prevista.
Desde o golpe dado, muito bem assessorado
E acima de tudo, machista.
A história mostrava o esquema; 
Agora os grampos desvendam o problema.
Começou com Ustra sendo ovacionado.
Seguiu com a morte de uma parlamentar,
até hoje, crime ocultado.
Aparelhamento militar do Estado
O povo anestesiado, mal informado.
A placa quebrada
A constituição diariamente, rasgada 
Os poderes ameaçados.
Os indivíduos esfomeados, 
O genocídio com alto números diários de morte
Há quem estude
Há quem corre
À quem luta
Boa sorte.

A placa

A rua fictícia 
Símbolo justo 
Memória arrastada
Quiçá em lustro
Da dúvida impune 

O Símbolo que nos une
Tornou-se fato
Em multidões e encruzilhadas
Transformando-se em brenhas perfumadas
De jardins parisienses. 

Em favelas, espaços e ruas, também prospera
Anunciando a iminência
De uma inevitável primavera. 

Contra todo o agouro que nos assola 
Diariamente
Para lembrarmos,  constantemente
Marielle Franco, presente.

8/3/2021

No país do estupro culposo
Da fraquejada
Do feminicídio epidêmico
Da vítima culpada;
Da transformação do assédio em gentileza
Da honra como legítima defesa

Do "não te estupro porque você não merece"
Da política que extermina nossos frutos
Da saudade e da dor que não se esquece.

Perceba que, diariamente, nosso viver é dor
Nesse dia, não me ofereça nada além  de empatia, luta e amor
Nenhum bombom é capaz de preencher esses vazios existenciais
Eu só quero viver, em paz. 

E agora José ( a antítese)

E agora José? 
A vacina acabou
O carnaval chegou
O bar não fechou
O povo saiu
A noite mal começou 
E agora José? 
E agora, você? 

Você que sou eu
Que anda com medo
Por isso faz versos...
Já que ama os protestos.
E agora Maria? 

Está sem emprego
Só lhe resta o discurso 
Está sem carinho.
Já Só faz beber
Já Só faz fumar
E vomita. 

A noite esquentou
O dia já veio, 
Com ele, as notícias.
Envergonha_se. Odeia.
Só sonha com a utopia.
E tudo segue aí. 
E nada, nem ninguém fugiu.
Estão todos impunes e apodrecidos.
E agora José? 

E agora José? 
Sua doce palavra
Seu instante de febre
Su gula e jejum 
Sua biblioteca
Sua lavra de ouro
Seu terno de vidro
Sua incoerência. 
Seu amor, e agora? 

Com a chave na mão 
Quer abrir a porta.
Mas não. 
Há porta.
Não pode ao menos morrer no mar.
Ele tampouco secou. Está cheio.
Nem em Manaus.
Manaus não há mais.
José e agora? 

Se você saísse 
Se você bebesse
Se você tocasse o batuque vienense
Mas você não aglomera, 
Você não é burro, José. 

Sozinho no claro e no escuro.
Qual bicho do mato.
Você e seus deuses 
Nas paredes nuas
Se encosta
Sem carros fúnebres 
Que batam à porta 
Que levem-te embora.
Você marcha José. 
José, para onde? 

Matemática

Noventa e dois porcento quer dizer
Necessariamente
Que se eu adoecer
Ficarei ao relento
Na rua, jogada e nua
Sem ar
Feia e torta
Fria e morta.








Para Lula

Sua dor não é menor, companheiro. 

Sabemos que o que te move
É o amor pelo povo brasileiro, 
é o café da manhã, almoço e janta do pobre
Que atualmente, come ovo
arma e desinformação,
afirmando que votará nele de novo,
para desespero desta (não) nação.


Entendemos sua tristeza com respeito
Por isso não diminua as dores de teu peito
(Elas são, igualmente legítimas )
Sentimos na pele, sua falta de direitos
Nas nossas políticas públicas extintas.


No discurso, a fala da empatia
que cita mesa vazia
poderes corrompidos
Dados falsos
Dignidade, vacina, trabalho e alegria.
Nos traz a esperança de um novo dia.


Lubrificando nossos olhos secos e famintos
Esquentando o sangue nas veias esturricadas 
Desamarrando os nós,  das gargantas encatarradas
pulsando nossos corpos cinzentos e mendigos.


Que penam, como tu
Em caixões fechados
adeuses proibidos
Saudades e gemidos
Esperança (a)guardada


Com(o) você, triunfaremos
Inteiros e amados,
Não armados
Mas na luta, 

E nessa caminhada, 
Ora, companheiro
também a dor
Há sempre
De ser compartilhada.


Abutre

Chorarei até secarem minhas lágrimas. 
Até parar de morrer brasileiros por incompetência e negacionismo
Chorarei até o fim do seu cinismo
Lamentarei a morte de meus amores até que minha face esteja marcada pelos caminhos aguados de minhas lágrimas,
Enquanto a saudade bater
Enquanto eu mesma viver
Por fim
Chorarei de felicidade
Quando em minha cidade 
O respeito à ciência e à vida prevalecer.
Esperarei como ti, abutre
O seu momento de partir
E direi aos seus familiares e seguidores 
Chega de mimimi

Ciência pra quê?

O brasileiro conseguiu montar, em seu imaginário, um vírus vagabundo, que circula somente em noitadas, bares e boates. Um vírus subversivo, que ama festas clandestinas e bailes funks proibidos.
Dessa forma, obviamente, ele não estará nos ônibus lotados de manhã ou no fim da tarde... aliás, tampouco no trabalho em si. Há de se respeitar homens de bem que têm família para sustentar, ora!
Nessa lógica, mercados, farmácias, lojas em geral estão também salvos desse vagabundo, porque todos ali estão atrás de subsistência, ou como mão de obra ou como consumidores... deve ser essa a razão dos afrouxamentos de protocolos sanitários nesses locais, inclusive. Para que, senhores, passar álcool em gel e respeitar lotação em mercados, se o vírus não está lá?
(Deve estar se enroscando em alguma vagabunda pelas ruas, chutando latinhas, numa roda de samba... isso sim!)
Para que usar máscara enfim né... se sou cidadão de bem, pago meus impostos...
O vírus anda em manifestações culturais populares; aquelas desprezadas pela burguesia, porque além de desocupado, o vírus não carrega um pingo de gosto pela cultura. Ele não está nos museus e centros culturais; nem em casas de chá e restaurantes onde podemos apreciar uma boa refeição, com um bom vinho e música erudita.
O vírus, como tudo que é ruim no imaginário brasileiro, é preto, pobre, macumbeiro, malandro e boêmio. Personificado como Zé pilintra, como o povo da rua.
O vírus é o diabo.
Se você, portanto, precisar de ajuda... se estiver possuído por esse encosto, vá até a igreja neo pentecostal mais próxima e peça que o pastor retire o covid de seu corpo.

SAI AGORA, COVID! SAIA DESSE CORPO QUE NÃO LHE PERTENCE" 

Ela tem Algodão-doce no cérebro.

Não sei se devido à escrita, ou à idade tenho preferido
Entender mais do que saber.
Escutar mais do que falar;
Agradecer mais do que pedir e perder-me em momentos de paz.
Momentos de quietude, onde o amor está por toda a parte; está, literalmente.
E com a intenção de apalpa-lo, numa abstração imaginativa de minha mente e paladar, por vezes infantis, de fato o materializa em flocos de algodão-doce, quando posso então, pegar um chumaço e me lambuzar com ele.
Meus amores carregam sabores diferentes nesse delírio. Meu filho possui uma névoa leve e cremosa, como que um sorvete em um dia quente, refrescante, jovem, despreocupado e confortante... seria meu chocolate. O ar de minha filha é, sem dúvida tutti frutti, bem doce.  Apirulitado, que me deixa grudenta... como o mormaço. Meu marido exala um doce alcoólico, apimentado e leve. É um sabor adulto e acre.
Eu não sei qual sabor exalo. De fato, nenhum, pois nesses momentos sou contemplativa e permaneço embuçada, para que minha bruma neutra seja esponja e me permita, depois, quando a saudade apertar o peito, degustar, em meu palito enevoado, todos os sabores recolhidos de atmosferas do amor

Sororidade

Hoje eu não escreveria.
Estou cansada e com dores.
Minhas dores são físicas.... daquelas que me desanimam porque trazem com elas o peso de ser mulher.
O peso de sentir dores constantemente... só por ser mulher mesmo.
E enquamto eu fazia nada, lamentando esse dia pouco produtivo, minha amiga mostra em suas redes,
Encorajada, um pequeno poema que fez...
E me marcou.
E disse amigos, que um dos motivos dela escrever... sou eu.
Como parar?
Como nao escrever hoje?
Justo hoje... dia que a sororidade me arrebata, finalmente.
Dia que o amor prevalece
Dia que comemoro uma amiga não rival.
Somos criadas para sermos rivais,
Somos criadas para competir
E nessa corrida
Eu só quero
Chegar por último
Com amor.
Para Rafaela e todas as amigas que celebram uma amizade real.
Kamilla Broedel