Lembro-me de quando na faculdade, um professor (sempre eles) perguntou para a turma “porque todos os dias, em todos os jornais, a informação das ações em bolsas de valores aparecem?”
Ora, eu não sabia a resposta, mas imediatamente meu cérebro cruzou informações importantes talvez, para a pergunta. Eu aplico em bolsa? Nem entendo bolsa de valores, aplicações, índices, nada… Eu conheço alguém que o faz? Também não… Aplicar em ações não é para qualquer um.. tem que ter dinheiro sobrando… Nossa é mesmo… em horário nobre, a informação também está sempre lá… em todos os meios de comunicação… rádio, televisão, capas de jormais impressos … e a pergunta não era respondida… no meu cérebro no caso, né… porque eu esperava que o professor respondesse então. E assim ele engatou – Informação.
E eu entendi foi nada!
E ele seguiu a linha da necessidade da informação ser passada, mesmo que você não a entenda. Aquilo é falado diariamente e eu gostaria de saber, quem realmente entende o que está em jogo ali, na bolsa, nas ações de empresas. (Vou deixar uma pesquisa nos stories, inclusive) E aquele momento passou. Essa informação ficou para sempre na minha cabeça, talvez por eu não tê-la entendido direito no momento.
Eu fui entender PERFEITAMENTE essa afirmativa muito tempo depois, para falar a verdade, gostaria de cruzar essa informação com a eleição do presidente atual.
Entendam. A linguagem é um fator muito importante para uma sociedade, para uma nação. Não à toa, o povo, por muitas vezes não entende o que é falado nas esferas jurídicas e políticas. (Abrir uma petição para popularizar a linguagem nas esferas oficiais desses poderes deveria ser uma meta, por exemplo).
Mas, pela primeira vez, o povo viu um candidato que falava LITERALMENTE a sua língua. Que falava o que todos entendiam, que falavam como todos pensavam, debochando inclusive das oratórias enganosas dos debates políticos e não comparecendo a eles. Viram uma pessoa que assumia que não entendia de nada e que nomearia pessoas entendidas e competentes para a pasta. E não menos importante, infelizmente, comunicava-se com seus preconceitos, com seus medos cristãos, com incômodos burgueses, com seus ódios, mas sempre, reforçando, com uma linguagem muito acessível, muito clara e muito inflamada.
Pela PRIMEIRA vez, talvez, aquele cidadão, que nunca conseguiu ser politizado, que sempre tratou política como uma coisa para intelectuais e pessoas estudadas; que inclusive, dizia não me importo com política, entre outras frases que pessoas alienizadas (sim, alienadas por alguém, por algum motivo, na maioria das vezes, por falta de oportunidade de estudar para entender, por isso lanço esse termo, que é passivo) atribuem quando são ignorantizadas (mesma logica aqui… licença poética e linguística aplicada), conseguiu fazer parte. Conseguiu estar em um grupo politicamente envolvido.
Se esses sujeitos entendessem de política, saberiam que até no futebol e na religião (principalmente na religião) há política. Saberia que ela está em tudo. Saberia que ela movimenta o dia a dia de nossas vidas, mas não é assim que ele está politizado.
Ele está politizado pelo ódio. Pelo ódio inclusive aos seus, que por não ser politizado, não se entende como integrante de uma mesma classe, e assim temos a linguagem e a informação desinformada liderando opiniões, liderando estatísticas e elegendo presidentes.
Por isso, palmas e gritos, exaltando o que entendem, não me surpreende. A inflamação dos próximos, ao começar e xingar, mandando a imprensa que divulgou compras superfaturadas de itens supérfluos num país onde muitos passam fome, “ enfiar no rabo”, o incentivo pela falta de decoro, não me é estranho mais.
É da forma que expliquei aqui, nessa reflexão que entendo, muito embora gostaria que aproveitassem o momento de politização para aprofundarem suas percepções e acompanharem, de fato, o que acontece no cruzo do seu dia a dia com a política.
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