sábado, 30 de janeiro de 2021

Com muito carinho

 Com colaboração e reflexões de parceira de trabalho, trago esse texto novo, ainda em relação ao retorno às aulas. Em nossa prática, entendemo-nos como um espaço social e educativo, freirianas, portanto de transformação, motivo pelo qual educamos para além dos muros da escola. Educamos nossa comunidade escolar. Educamos com a favela. Somos ainda extremamente preocupadas com a felicidade e bem estar da criança em nosso espaço. São itens presentes em nosso ppp e em nossa prática diária, obviamente.Então, agora, a conversa será com vocês.Comunidade escolar. Crianças e famílias. Não temos certeza mais, sobre o prazer que encontrarão na escola. Estamos em um quadro diferente, todos muito preocupados e incertos, inseguros e sem incentivos para acreditar na Educação que conhecíamos. Não entendemos a escola  somente como um local onde a criança tenha que estar segura durante o período de aulas. Entendemos a educação como um direito infantil, como uma necessidade. Entendemos que somos, nós professores, mediadores e facilitadores desse processo. Por isso, não conseguimos entender como garantir um dia letivo prazeroso, lúdico e alegre para vocês,  sem a coletividade. Sem o compartilhamento de brinquedos e materiais, sem o toque, sem abraços quando vocês se sentirem inseguros, ou sem colo quando vocês chorarem.Não conseguimos entender como cuidar de uma adaptação sem contato. Primeiro, porque não é adaptação, é acolhimento, é toque, é troca, é chorar junto e conversar bem grudado.É enfim, calor humano, aconchego. Não entendemos nem como compartilharemos espaços e nem como brincaremos juntos. 

Aos responsáveis posso afirmar que estamos tão inseguros quanto vocês.

Às crianças, que estamos menos esperançosos e alegres. Sabemos que querem muito reencontrar seus amigos de turma, brincar e conversar com eles. E nós também gostaríamos de estar alegres em relação a esse momento, mas existem sentimentos cinzentos, descoloridos, que superam a alegria. Um deles é a insegurança. É nesse local que estamos. Por isso, a palavra do retorno deve ser paciência. Deve ser, entendimento e diálogo. Diálogo sincero, diálogo para construir rotinas.Não os políticos, cheios de palavras estranhas à prática, mas sim o do chão da escola, como nós professores nos referimos à prática do local da sala de aula. Não nos parece seguro o retorno. Não estamos vacinados. Todos sabemos que as crianças que retornarão primeiro são as que menos entendem os protocolos de segurança e menos conseguem cumprí-los. Não sabemos como faremos para manter todos distantes, de máscara, só se preocupando com higiene e pouco contato, porque enfim, a educação não é isso. E esse texto é para que lembrem, conosco, que educação é amor, é compromisso e coletividade. Educação é segurança sim, mas segurança que estamos todos, famílias, alunos e profissionais, sentindo-nos bem no local em que estamos. Que podemos contar um com o outro para compartilhar dúvidas e inseguranças, êxitos e conquistas. E que podemos nos afagar, porque somos humanos. 

Esse é meu apelo. Não se esqueçam do que realmente é a educação, nesse tempo que seremos obrigadas a sermos chatas, impormos muitas medidas que não entendemos bem. Tenham enfim a paciência, que é também, humana e resiliente. 


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