O título é referência de uma skill da Alexa, uma inteligência artificial bem avançada , que traz a habilidade para elaborar discursos cheios de palavras complicadas e técnicas, mas vazio em ações e efetividade; é o famoso “enchendo linguiça” ou, fala prolixa.
A fala prolixa serve para, além de demonstrar uma capacidade envolvente e incrível do orador, fazer com que você se sinta seguro (a), ainda que não passe em si uma mensagem muito clara.
É comum também observarmos o uso de gerundismo, frequentes no meio corporativo (estaremos fazendo, estaremos pensando, estaremos enviando, estaremos começando…) para que você tenha a sensação de continuidade de algo que você provavelmente não entendeu mas, que está enfim “sendo feito”. Por fim, temos ainda a falta de apresentação de fontes de estudos nesses discursos.
Não por acaso, é uma linguagem seguramente presente em discursos políticos, que estão sempre no gerúndio.
Ontem, durante a presentação do plano de retorno às aulas do município do Rio de Janeiro, não faltaram gerúndios; logo, não faltaram também professores sentindo segurança no que estava sendo apresentado.
Sim, os professores, que não serão vacinados para este retorno sentiram-se seguros. Os professores que não foram citados em diversas preocupações do governo, sentiram-se seguros. Eu sinceramente gostaria de enxergar a realidade como eles. Sentir-me segura em adentrar numa sala com 10 ou mais crianças, todos sem vacina, para “estar fazendo” um projeto que a Secretaria “estará elaborando” para que nossos alunos “estejam realizando”. Queria entender somente uma proposta efetiva do que foi dito ali. Queria uma fala no presente. Uma fala concisa, que acabasse com dúvidas e inseguranças.
Ali, na apresentação desse plano oco, eu só conseguia pensar que errei muito na escolha da minha carreira, da profissão que carregava com orgulho, de uma prática pedagógica de excelência desempenhada e de todos os anos e leituras investidos. Veio o famoso nó na garganta, junto com um choro, não de raiva, mas de dor mesmo. De sentir que somos realmente desumanizados, que não importamos tanto assim quanto a sociedade fala. Eu só entendia que poderia morrer e falas como “Alguns vão morrer, lamento, essa é a vida” e “todo mundo vai morrer um dia”. Passaram pela minha cabeça, como se justificasse a ação e sua importância social.
Então invejo quem sentiu segurança nas falas, peço inclusive que passem para mim o que entenderam.
Até lá, estarei fazendo todo o esforço do mundo para não estar voltando sem ações concisas.
Pro lixo com prolixo.
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