segunda-feira, 22 de março de 2021

Ela tem Algodão-doce no cérebro.

Não sei se devido à escrita, ou à idade tenho preferido
Entender mais do que saber.
Escutar mais do que falar;
Agradecer mais do que pedir e perder-me em momentos de paz.
Momentos de quietude, onde o amor está por toda a parte; está, literalmente.
E com a intenção de apalpa-lo, numa abstração imaginativa de minha mente e paladar, por vezes infantis, de fato o materializa em flocos de algodão-doce, quando posso então, pegar um chumaço e me lambuzar com ele.
Meus amores carregam sabores diferentes nesse delírio. Meu filho possui uma névoa leve e cremosa, como que um sorvete em um dia quente, refrescante, jovem, despreocupado e confortante... seria meu chocolate. O ar de minha filha é, sem dúvida tutti frutti, bem doce.  Apirulitado, que me deixa grudenta... como o mormaço. Meu marido exala um doce alcoólico, apimentado e leve. É um sabor adulto e acre.
Eu não sei qual sabor exalo. De fato, nenhum, pois nesses momentos sou contemplativa e permaneço embuçada, para que minha bruma neutra seja esponja e me permita, depois, quando a saudade apertar o peito, degustar, em meu palito enevoado, todos os sabores recolhidos de atmosferas do amor

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