segunda-feira, 22 de março de 2021

E agora José ( a antítese)

E agora José? 
A vacina acabou
O carnaval chegou
O bar não fechou
O povo saiu
A noite mal começou 
E agora José? 
E agora, você? 

Você que sou eu
Que anda com medo
Por isso faz versos...
Já que ama os protestos.
E agora Maria? 

Está sem emprego
Só lhe resta o discurso 
Está sem carinho.
Já Só faz beber
Já Só faz fumar
E vomita. 

A noite esquentou
O dia já veio, 
Com ele, as notícias.
Envergonha_se. Odeia.
Só sonha com a utopia.
E tudo segue aí. 
E nada, nem ninguém fugiu.
Estão todos impunes e apodrecidos.
E agora José? 

E agora José? 
Sua doce palavra
Seu instante de febre
Su gula e jejum 
Sua biblioteca
Sua lavra de ouro
Seu terno de vidro
Sua incoerência. 
Seu amor, e agora? 

Com a chave na mão 
Quer abrir a porta.
Mas não. 
Há porta.
Não pode ao menos morrer no mar.
Ele tampouco secou. Está cheio.
Nem em Manaus.
Manaus não há mais.
José e agora? 

Se você saísse 
Se você bebesse
Se você tocasse o batuque vienense
Mas você não aglomera, 
Você não é burro, José. 

Sozinho no claro e no escuro.
Qual bicho do mato.
Você e seus deuses 
Nas paredes nuas
Se encosta
Sem carros fúnebres 
Que batam à porta 
Que levem-te embora.
Você marcha José. 
José, para onde? 

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